UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023
Um homem de 50 anos está no 5º pós-operatório de ulcerorrafia gástrica, com patch de omento. Refere dor abdominal de forte intensidade e mal-estar geral. Pulso: 120 bpm, PA: 90 × 50 mmHg, temperatura: 37,2 °C. Ao exame, o abdome apresenta distensão, doloroso a palpação profunda difusamente. Dreno abdominal com saída de 900 mL de líquido bilioso nas últimas 24 horas. Conduta mais adequada no momento:
Pós-op. gástrico + dor intensa + instabilidade hemodinâmica + dreno bilioso = Deiscência → Reoperação URGENTE.
A instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão) associada a dor abdominal intensa, distensão e grande volume de líquido bilioso pelo dreno no pós-operatório de cirurgia gástrica é altamente sugestiva de deiscência da sutura e peritonite. Esta é uma emergência cirúrgica que exige reintervenção imediata para controle do foco séptico.
A deiscência de sutura gástrica é uma complicação grave do pós-operatório de cirurgias do trato gastrointestinal superior, com alta morbimortalidade. Sua incidência varia, mas é crucial reconhecê-la precocemente para evitar desfechos desfavoráveis. A apresentação clínica geralmente envolve dor abdominal intensa, sinais de peritonite e, frequentemente, instabilidade hemodinâmica, indicando um processo séptico grave. A fisiopatologia envolve a falha na cicatrização da anastomose ou rafia, permitindo o extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal, levando a peritonite e sepse. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na deterioração do estado geral do paciente, sinais vitais alterados e achados no exame físico abdominal. A saída de grande volume de líquido entérico ou bilioso pelo dreno abdominal é um forte indicativo. O tratamento é cirúrgico e emergencial. Uma nova abordagem cirúrgica é necessária para identificar e corrigir a deiscência, realizar lavagem da cavidade abdominal e, se necessário, criar novas derivações ou ostomias. O atraso na reintervenção aumenta significativamente a mortalidade, tornando a decisão rápida e assertiva fundamental para a sobrevida do paciente.
Sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e difusa, distensão abdominal, instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão) e saída de grande volume de líquido entérico ou bilioso pelo dreno.
A conduta inicial para um paciente instável com forte suspeita de deiscência é a reanimação volêmica e a indicação imediata de nova abordagem cirúrgica para controle do foco séptico.
Em pacientes com instabilidade hemodinâmica e sinais claros de peritonite, a tomografia pode atrasar uma intervenção cirúrgica urgente. O diagnóstico clínico e a necessidade de reoperação são prioritários.
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