Deiscência de Ferida Operatória: O Impacto da Hiperglicemia

HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 53 anos de idade, hipertenso e diabético, foi submetido a uma hernioplastia inguinal eletiva. A cirurgia ocorreu sem intercorrências e o paciente teve alta no primeiro dia de pós-operatório. Após 10 dias, apresenta deiscência da ferida operatória. Assinale, entre os seguintes fatores, o mais relevante na etiologia da deiscência:

Alternativas

  1. A) Hipertensão arterial.
  2. B) Hiperglicemia não controlada.
  3. C) Uso de anticoagulantes.
  4. D) Idade avançada

Pérola Clínica

Hiperglicemia não controlada é o fator de risco mais relevante para deiscência de ferida operatória, comprometendo a cicatrização.

Resumo-Chave

A hiperglicemia não controlada, comum em pacientes diabéticos, é um dos fatores mais críticos para a deiscência de ferida operatória, pois prejudica a função dos fibroblastos, a síntese de colágeno, a resposta inflamatória e a imunidade local, comprometendo significativamente o processo de cicatrização.

Contexto Educacional

A deiscência de ferida operatória é uma complicação grave, caracterizada pela separação das bordas da incisão cirúrgica, que pode envolver apenas a pele ou todas as camadas da parede abdominal. É uma condição multifatorial, com impacto significativo na morbidade do paciente, prolongamento da internação e aumento dos custos de saúde. A identificação e manejo dos fatores de risco são primordiais para a prevenção. Entre os fatores de risco sistêmicos, a hiperglicemia não controlada em pacientes diabéticos é um dos mais relevantes. O diabetes mellitus descompensado compromete múltiplos aspectos do processo de cicatrização, desde a fase inflamatória até a remodelação tecidual. A hiperglicemia crônica leva à glicosilação de proteínas, disfunção endotelial, comprometimento da microcirculação e deficiência na função imune, tornando os tecidos mais vulneráveis a infecções e com menor capacidade de reparo. Outros fatores como hipertensão arterial (quando controlada, menos impactante diretamente na deiscência), uso de anticoagulantes (aumenta risco de hematoma, que pode predispor à deiscência, mas não é o mais relevante para a cicatrização em si) e idade avançada (associada a comorbidades e menor capacidade de reparo, mas a hiperglicemia tem um efeito mais direto e potente) também contribuem, mas a disfunção metabólica da hiperglicemia é um fator etiológico central e direto para a falha na cicatrização e integridade da ferida. O controle glicêmico rigoroso no pré e pós-operatório é uma medida preventiva fundamental.

Perguntas Frequentes

Como a hiperglicemia afeta a cicatrização de feridas?

A hiperglicemia prejudica a função dos neutrófilos e macrófagos, diminui a síntese de colágeno pelos fibroblastos, compromete a angiogênese e reduz a resistência tecidual, tornando a ferida mais suscetível a infecções e deiscência.

Quais outros fatores de risco contribuem para a deiscência de ferida operatória?

Outros fatores incluem infecção do sítio cirúrgico, técnica cirúrgica inadequada, obesidade, desnutrição, uso de corticosteroides, tabagismo, anemia, ascite e aumento da pressão intra-abdominal.

Qual a importância do controle glicêmico no período perioperatório?

O controle glicêmico rigoroso no período perioperatório é crucial para otimizar a cicatrização, reduzir o risco de infecções do sítio cirúrgico e outras complicações, melhorando os desfechos pós-operatórios em pacientes diabéticos.

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