UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021
Paciente de 29 anos de idade deu entrada no pronto-socorro por dor abdominal incisional há 1 dia. É hipertensa, diabética, obesa e tabagista. Está no 6º dia pós-operatório de operação cesariana gemelar. Refere que teve saída de grande quantidade de líquido sero-hemático por entre os pontos da ferida operatória. Qual é a principal hipótese diagnóstica para a complicação pós-operatória apresentada?
Saída de líquido sero-hemático por ferida pós-operatória = suspeitar de deiscência aponeurótica.
A saída de grande quantidade de líquido sero-hemático por uma ferida operatória, especialmente em pacientes com múltiplos fatores de risco (obesidade, diabetes, tabagismo) no pós-operatório precoce (6º dia), é um sinal clássico de deiscência da aponeurose, uma complicação grave que requer intervenção.
A deiscência de ferida operatória é uma complicação pós-operatória grave, especialmente quando envolve a aponeurose, a camada de tecido conjuntivo que confere resistência à parede abdominal. Em pacientes submetidas a cesariana, a deiscência aponeurótica pode levar à evisceração e requer reintervenção cirúrgica. É crucial reconhecer os sinais precoces e os fatores de risco para um manejo adequado. A apresentação clínica típica da deiscência aponeurótica inclui dor abdominal incisional, que pode ser acompanhada pela saída de grande quantidade de líquido sero-hemático (água de carne) pela ferida, geralmente entre o 5º e o 10º dia pós-operatório. Fatores de risco como obesidade, diabetes, tabagismo, hipertensão e gestação gemelar (que aumenta a distensão abdominal) contribuem significativamente para a fragilidade da cicatrização e o risco de deiscência. A infecção do sítio cirúrgico, embora possa coexistir, geralmente se manifesta com sinais inflamatórios mais evidentes e secreção purulenta. O diagnóstico é primariamente clínico, e a confirmação da deiscência aponeurótica exige uma avaliação cuidadosa da ferida. A conduta imediata envolve a proteção da ferida e a preparação para uma reintervenção cirúrgica para o fechamento da parede abdominal. O manejo adequado dos fatores de risco no pré e pós-operatório é fundamental para prevenir essa complicação, que impacta significativamente a morbidade e o tempo de recuperação da paciente.
Fatores de risco incluem obesidade, diabetes mellitus, tabagismo, desnutrição, anemia, uso de corticosteroides, idade avançada, infecção do sítio cirúrgico, técnica cirúrgica inadequada e aumento da pressão intra-abdominal (tosse, vômito).
A deiscência superficial envolve apenas a pele e o tecido subcutâneo, enquanto a deiscência aponeurótica, mais grave, é a separação das bordas da aponeurose, com risco de evisceração e formação de hérnias incisionais. A saída de líquido sero-hemático em grande volume é um forte indicativo de deiscência aponeurótica.
Diante da suspeita, a ferida deve ser imediatamente examinada para avaliar a extensão da deiscência. O paciente deve ser mantido em repouso, com a ferida coberta com compressas estéreis úmidas. É uma emergência cirúrgica que geralmente requer reexploração e fechamento da parede abdominal.
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