Deiscência de Ferida Operatória: Causas e Fatores de Risco

Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2019

Enunciado

Um paciente de 65 anos de idade está no oitavo dia de pós-operatório de uma laparotomia mediana para tratamento de uma úlcera gástrica perfurada e apresenta uma deiscência da ferida operatória (FO). Assinale a alternativa INCORRETA em relação à complicação relatada no caso.

Alternativas

  1. A) A infecção profunda é uma das principais causas de deiscência de FO. 
  2. B) A presença de hematomas e seromas de parede podem aumentar a chance de deiscência de FO. 
  3. C) 20% a 30% das cirurgias abdominais cursam com deiscência de FO. em pacientes com idade superior a 60 anos e diabéticos. 
  4. D) O aumento da pressão intra-abdominal no pós-operatório pode favorecer.

Pérola Clínica

Deiscência de FO abdominal é complicação grave, com incidência bem menor que 20-30% mesmo em idosos/diabéticos.

Resumo-Chave

A deiscência de ferida operatória é uma complicação séria, multifatorial, que pode ser causada por infecção, hematomas, seromas e aumento da pressão intra-abdominal. A incidência de 20-30% é excessivamente alta; a taxa real é significativamente menor, geralmente entre 1-3% em cirurgias abdominais.

Contexto Educacional

A deiscência de ferida operatória (FO) é uma complicação pós-operatória grave caracterizada pela separação das bordas de uma incisão cirúrgica, podendo envolver apenas a pele ou todas as camadas da parede abdominal (evisceração). É um evento multifatorial, com consequências significativas para o paciente, incluindo aumento da morbidade, tempo de internação e custos hospitalares. Diversos fatores contribuem para o risco de deiscência. Fatores sistêmicos incluem idade avançada, desnutrição, obesidade, diabetes mellitus mal controlado, uso de corticosteroides, doenças que afetam a cicatrização (ex: uremia, icterícia) e condições que aumentam a pressão intra-abdominal (ex: tosse crônica, vômitos, ascite). Fatores locais abrangem infecção do sítio cirúrgico, formação de hematomas ou seromas, técnica cirúrgica inadequada (tensão excessiva na sutura, pontos muito espaçados) e tipo de incisão. A incidência de deiscência de FO em cirurgias abdominais varia, mas estudos mostram taxas geralmente entre 1% e 3%. A afirmação de que 20% a 30% das cirurgias abdominais cursam com deiscência em pacientes idosos e diabéticos é incorreta e superestima drasticamente a real prevalência dessa complicação. O reconhecimento e manejo desses fatores de risco são cruciais para a prevenção e tratamento adequado da deiscência, sendo um tópico relevante para a prática cirúrgica e exames de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para deiscência de ferida operatória?

Os fatores de risco podem ser divididos em sistêmicos (idade avançada, desnutrição, obesidade, diabetes, uso de corticoides, doença pulmonar obstrutiva crônica, ascite) e locais (infecção do sítio cirúrgico, hematoma, seroma, técnica cirúrgica inadequada, aumento da pressão intra-abdominal).

Como a infecção do sítio cirúrgico contribui para a deiscência?

A infecção do sítio cirúrgico compromete o processo de cicatrização, levando à degradação do colágeno, inflamação excessiva e necrose tecidual, o que enfraquece a linha de sutura e aumenta o risco de separação das bordas da ferida.

Qual a incidência real de deiscência de ferida operatória em cirurgias abdominais?

A incidência de deiscência de ferida operatória em cirurgias abdominais varia, mas geralmente situa-se entre 1% e 3%. A taxa de 20-30% mencionada na alternativa é excessivamente alta e não reflete a realidade clínica, mesmo em populações de alto risco como idosos e diabéticos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo