USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Homem de 26 anos, previamente hígido, vítima de trauma abdominal fechado, foi admitido em choque hipovolêmico e tratado mediante laparotomia mediana com esplenectomia, enterorrafia de lesão jejunal e síntese fascial de parede abdominal com sutura contínua. Durante visita beira leito de enfermaria, no sétimo dia de pós-operatório, já em boas condições gerais, apresentou saída de grande quantidade de líquido pela incisão cirúrgica ao se levantar. Qual é o diagnóstico e a abordagem com melhor resultado para o paciente e menor custo para o sistema de saúde?
Saída súbita de líquido serossanguinolento por incisão abdominal pós-laparotomia → Suspeitar de deiscência fascial.
A deiscência da ferida operatória, especialmente a fascial, é uma complicação grave que se manifesta pela separação das camadas da parede abdominal, muitas vezes com saída de líquido serossanguinolento. A abordagem correta é a ressutura cirúrgica.
A deiscência da ferida operatória é uma complicação pós-operatória grave, caracterizada pela separação das bordas da incisão cirúrgica, podendo envolver apenas a pele e o subcutâneo ou, mais criticamente, a fáscia abdominal. A deiscência fascial é particularmente perigosa, pois pode levar à evisceração, onde órgãos abdominais se exteriorizam através da incisão. A fisiopatologia envolve falha na cicatrização ou na técnica de sutura, frequentemente associada a fatores de risco como aumento da pressão intra-abdominal (tosse, vômito, distensão), desnutrição, infecção da ferida, obesidade e doenças sistêmicas. A manifestação clássica é a saída súbita de grande quantidade de líquido serossanguinolento pela incisão, geralmente entre o 5º e o 10º dia de pós-operatório, como no caso descrito. O diagnóstico de deiscência fascial exige exploração digital cuidadosa da ferida para confirmar a separação da fáscia. A conduta imediata é a ressutura cirúrgica da parede abdominal, que deve ser realizada o mais breve possível para prevenir a evisceração e outras complicações graves, como peritonite. Esta abordagem oferece o melhor resultado para o paciente e é a mais custo-efetiva a longo prazo.
Fatores de risco incluem desnutrição, obesidade, ascite, tosse crônica, vômitos, infecção da ferida, técnica cirúrgica inadequada, uso de corticosteroides e doenças que comprometem a cicatrização.
Seroma e hematoma geralmente causam inchaço e saída de líquido sem separação das camadas profundas. A deiscência fascial envolve a separação da fáscia, podendo levar à evisceração e é diagnosticada pela exploração digital ou visualização direta.
A ressutura é crucial para restaurar a integridade da parede abdominal, prevenir a evisceração, reduzir o risco de hérnia incisional e evitar complicações como infecção e peritonite.
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