HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2025
Paciente masculino, 53 anos de idade, hipertenso e diabético, foi submetido a uma hernioplastia inguinal eletiva. A cirurgia ocorreu sem intercorrências e o paciente teve alta no primeiro dia de pós-operatório. Após 10 dias, apresenta deiscência da ferida operatória. Assinale, entre os seguintes fatores, o mais relevante na etiologia da deiscência:
Hiperglicemia não controlada = principal fator de risco para deiscência de ferida operatória.
A hiperglicemia crônica e não controlada em pacientes diabéticos compromete significativamente a cicatrização de feridas. Isso ocorre devido a disfunção de fibroblastos, diminuição da síntese de colágeno, comprometimento da função imune e microangiopatia, tornando a ferida mais suscetível à deiscência e infecção.
A deiscência de ferida operatória, a separação das bordas de uma incisão cirúrgica, é uma complicação que pode prolongar a internação, aumentar custos e gerar morbidade significativa. Em pacientes submetidos a cirurgias eletivas, a identificação e manejo dos fatores de risco são cruciais para a prevenção. Entre os diversos fatores que contribuem para a deiscência, a hiperglicemia não controlada em pacientes diabéticos é um dos mais relevantes. O diabetes mellitus afeta a microcirculação, a função leucocitária e a síntese de colágeno, elementos essenciais para um processo de cicatrização eficaz. A manutenção de níveis glicêmicos elevados no período perioperatório compromete diretamente a integridade da ferida. Outros fatores como idade avançada, hipertensão arterial ou uso de anticoagulantes podem ter alguma influência, mas a hiperglicemia tem um impacto direto e mais pronunciado na fisiologia da cicatrização. Portanto, um controle glicêmico rigoroso no pré e pós-operatório é uma medida preventiva fundamental para reduzir o risco de deiscência e outras complicações em pacientes diabéticos.
A hiperglicemia prejudica a cicatrização ao comprometer a função dos fibroblastos, reduzir a síntese de colágeno, diminuir a angiogênese e afetar a resposta imune local, tornando a ferida mais vulnerável a infecções e falha na reparação tecidual.
Além da hiperglicemia, outros fatores incluem desnutrição, obesidade, tabagismo, uso de corticosteroides, infecção da ferida, técnica cirúrgica inadequada, tensão excessiva na sutura e doenças que comprometem a imunidade ou vascularização.
O controle glicêmico rigoroso no período perioperatório é fundamental para otimizar a cicatrização, reduzir o risco de infecções do sítio cirúrgico e outras complicações, melhorando os resultados cirúrgicos em pacientes diabéticos.
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