HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2025
A deiscência de ferida operatória é uma complicação cirúrgica que pode levar a consequências graves, como evisceração e infecção intra-abdominal. Sobre essa condição, é CORRETO afirmar:
Secreção serossanguinolenta súbita na ferida operatória → sinal precoce de deiscência aponeurótica.
A deiscência de ferida operatória é uma complicação grave, e a identificação precoce de sinais como a secreção serossanguinolenta é fundamental para prevenir a evisceração e outras complicações, permitindo intervenção rápida.
A deiscência de ferida operatória, definida como a separação das bordas da ferida, é uma complicação pós-operatória grave que pode variar de uma deiscência superficial da pele a uma deiscência completa da aponeurose com evisceração. Sua incidência varia, mas pode levar a morbidade significativa, prolongamento da internação e aumento dos custos hospitalares. É crucial para o residente reconhecer os fatores de risco e os sinais precoces para intervir prontamente. A fisiopatologia da deiscência envolve múltiplos fatores que comprometem a cicatrização da ferida, incluindo tensão excessiva na linha de sutura, infecção, desnutrição, condições médicas subjacentes (como diabetes e DPOC), uso de certos medicamentos (corticosteroides) e aumento da pressão intra-abdominal (tosse, vômitos, ascite). O sinal mais característico e precoce de deiscência aponeurótica é o aparecimento súbito de uma grande quantidade de secreção serossanguinolenta na ferida, que indica o rompimento da fáscia e a saída de líquido peritoneal. O manejo da deiscência depende da sua extensão. Deiscências superficiais podem ser tratadas com curativos e cicatrização por segunda intenção. No entanto, a deiscência aponeurótica com ou sem evisceração é uma emergência cirúrgica. A evisceração requer proteção imediata das vísceras expostas e reintervenção cirúrgica urgente para fechamento da parede abdominal. A prevenção é a melhor abordagem, enfatizando a técnica cirúrgica adequada, controle de fatores de risco do paciente e monitoramento rigoroso no pós-operatório.
Os fatores de risco incluem desnutrição, obesidade, ascite, tosse crônica, vômitos persistentes, infecção da ferida, diabetes mellitus, uso de corticosteroides, técnicas cirúrgicas inadequadas e doenças que comprometem a cicatrização, como a doença pulmonar obstrutiva crônica.
A deiscência de ferida operatória tipicamente ocorre entre o 5º e o 10º dia pós-operatório, período em que a força tênsil da ferida é mínima antes da deposição significativa de colágeno. Raramente ocorre nas primeiras 48 horas.
Diante da suspeita de deiscência aponeurótica, especialmente com secreção serossanguinolenta, a conduta inicial é a inspeção cuidadosa da ferida. Se houver evisceração, cobrir as alças com compressas estéreis umedecidas com soro fisiológico e providenciar cirurgia de emergência para fechamento da parede abdominal.
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