Deiscência de Ferida Operatória: Sinais e Manejo

HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2025

Enunciado

A deiscência de ferida operatória é uma complicação cirúrgica que pode levar a consequências graves, como evisceração e infecção intra-abdominal. Sobre essa condição, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) Pacientes com ascite não apresentam maior risco de deiscência de ferida operatória.
  2. B) A deiscência de ferida operatória ocorre geralmente nas primeiras 48 horas após a cirurgia.
  3. C) A secreção serossanguinolenta na ferida operatória pode ser um sinal precoce de deiscência da aponeurose.
  4. D) A evisceração não requer intervenção cirúrgica urgente, podendo ser tratada com antibioticoterapia isolada.

Pérola Clínica

Secreção serossanguinolenta súbita na ferida operatória → sinal precoce de deiscência aponeurótica.

Resumo-Chave

A deiscência de ferida operatória é uma complicação grave, e a identificação precoce de sinais como a secreção serossanguinolenta é fundamental para prevenir a evisceração e outras complicações, permitindo intervenção rápida.

Contexto Educacional

A deiscência de ferida operatória, definida como a separação das bordas da ferida, é uma complicação pós-operatória grave que pode variar de uma deiscência superficial da pele a uma deiscência completa da aponeurose com evisceração. Sua incidência varia, mas pode levar a morbidade significativa, prolongamento da internação e aumento dos custos hospitalares. É crucial para o residente reconhecer os fatores de risco e os sinais precoces para intervir prontamente. A fisiopatologia da deiscência envolve múltiplos fatores que comprometem a cicatrização da ferida, incluindo tensão excessiva na linha de sutura, infecção, desnutrição, condições médicas subjacentes (como diabetes e DPOC), uso de certos medicamentos (corticosteroides) e aumento da pressão intra-abdominal (tosse, vômitos, ascite). O sinal mais característico e precoce de deiscência aponeurótica é o aparecimento súbito de uma grande quantidade de secreção serossanguinolenta na ferida, que indica o rompimento da fáscia e a saída de líquido peritoneal. O manejo da deiscência depende da sua extensão. Deiscências superficiais podem ser tratadas com curativos e cicatrização por segunda intenção. No entanto, a deiscência aponeurótica com ou sem evisceração é uma emergência cirúrgica. A evisceração requer proteção imediata das vísceras expostas e reintervenção cirúrgica urgente para fechamento da parede abdominal. A prevenção é a melhor abordagem, enfatizando a técnica cirúrgica adequada, controle de fatores de risco do paciente e monitoramento rigoroso no pós-operatório.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para deiscência de ferida operatória?

Os fatores de risco incluem desnutrição, obesidade, ascite, tosse crônica, vômitos persistentes, infecção da ferida, diabetes mellitus, uso de corticosteroides, técnicas cirúrgicas inadequadas e doenças que comprometem a cicatrização, como a doença pulmonar obstrutiva crônica.

Quando a deiscência de ferida operatória geralmente ocorre?

A deiscência de ferida operatória tipicamente ocorre entre o 5º e o 10º dia pós-operatório, período em que a força tênsil da ferida é mínima antes da deposição significativa de colágeno. Raramente ocorre nas primeiras 48 horas.

Qual a conduta inicial diante da suspeita de deiscência aponeurótica?

Diante da suspeita de deiscência aponeurótica, especialmente com secreção serossanguinolenta, a conduta inicial é a inspeção cuidadosa da ferida. Se houver evisceração, cobrir as alças com compressas estéreis umedecidas com soro fisiológico e providenciar cirurgia de emergência para fechamento da parede abdominal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo