Deiscência de Ferida Operatória: Diagnóstico e Manejo

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 31 anos, previamente hígido, vítima de ferimento por arma branca, foi submetido à laparotomia mediana que evidenciou lesão perfurante em cólon transverso proximal. Realizada rafia do cólon, lavagem da cavidade e fechamento da parede abdominal com sutura contínua. Teve boa evolução até o 7º dia de pós-operatório quando, ao levantar-se, apresentou subitamente saída de grande quantidade de líquido claro, cor salmão, pela incisão cirúrgica. Nesse caso, qual é o provável diagnóstico e a melhor abordagem?

Alternativas

  1. A) Infecção de ferida operatória – Abertura de alguns pontos na pele para lavagem da ferida e início de antibioticoterapia.
  2. B) Infecção de ferida operatória – Abertura de alguns pontos na pele para lavagem da ferida.
  3. C) Seroma de subcutâneo – Abertura de alguns pontos da pele e curativos absortivos e oclusivos.
  4. D) Deiscência de ferida operatória – Exploração digital da ferida, proteção das alças e ressutura da parede abdominal.
  5. E) Deiscência da rafia de cólon com fístula para a ferida – Laparotomia para lavagem da cavidade e confecção de colostomia.

Pérola Clínica

Saída súbita de líquido 'água de carne' pela incisão pós-laparotomia → Deiscência fascial = Reoperação urgente.

Resumo-Chave

A deiscência de ferida operatória, especialmente a fascial, é uma complicação grave que se manifesta tipicamente pela saída de grande volume de líquido serossanguinolento ('água de carne') pela incisão, muitas vezes após um esforço. A conduta é a exploração cirúrgica e ressutura da parede abdominal.

Contexto Educacional

A deiscência de ferida operatória é uma complicação pós-operatória grave, definida como a separação das camadas da parede abdominal, mais comumente a fáscia. Ocorre geralmente entre o 5º e o 10º dia de pós-operatório e é mais comum em laparotomias medianas. Sua importância clínica reside no alto risco de evisceração, infecção intra-abdominal e morbimortalidade associada, exigindo reconhecimento e intervenção imediatos. O diagnóstico é frequentemente clínico, caracterizado pela saída súbita de grande volume de líquido serossanguinolento ('água de carne' ou 'cor salmão') pela incisão, que é o líquido peritoneal. Isso ocorre devido à falha da sutura fascial, permitindo que o líquido da cavidade abdominal extravase. Fatores que aumentam a pressão intra-abdominal, como tosse, vômito ou esforço, podem precipitar o evento. A exploração digital da ferida pode confirmar a falha fascial. A abordagem terapêutica para a deiscência fascial é a reoperação de emergência. O objetivo é ressuturar a fáscia para restaurar a integridade da parede abdominal, prevenindo a evisceração e suas consequências. Antes da cirurgia, é fundamental proteger as alças intestinais expostas com compressas estéreis umedecidas. A prevenção envolve otimização do estado nutricional do paciente, controle de comorbidades e técnica cirúrgica cuidadosa.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de uma deiscência de ferida operatória?

O sinal mais característico é a saída súbita de grande quantidade de líquido serossanguinolento, conhecido como 'água de carne' ou 'cor salmão', pela incisão cirúrgica, frequentemente após um esforço físico ou tosse.

Qual a conduta inicial diante da suspeita de deiscência fascial?

A conduta inicial é proteger as alças intestinais expostas (se houver evisceração) com compressas estéreis umedecidas em soro fisiológico e encaminhar o paciente para reoperação urgente para ressutura da parede abdominal.

Quais são os fatores de risco para deiscência de ferida operatória?

Fatores de risco incluem desnutrição, obesidade, ascite, tosse crônica, vômitos, infecção da ferida, uso de corticosteroides, técnica cirúrgica inadequada e aumento da pressão intra-abdominal.

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