SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2025
Um paciente apresenta drenagem serossanguinolenta na incisão cirúrgica, no 5º dia de pós-operatório depois de cirurgia abdominal. Provavelmente, o que deve estar acontecendo?
Drenagem serossanguinolenta ('água de carne lavada') em ferida abdominal no 5º-7º DPO = Deiscência aponeurótica até prova em contrário.
A secreção serossanguinolenta em uma ferida cirúrgica abdominal após o 5º dia de pós-operatório é um sinal de alerta máximo. Ela representa o líquido peritoneal extravasando através de uma falha na aponeurose (deiscência), sendo um precursor da evisceração.
A deiscência de ferida cirúrgica é uma complicação grave do pós-operatório, caracterizada pela separação dos planos anatômicos de uma incisão previamente suturada. Pode ser parcial, afetando apenas pele e subcutâneo, ou completa, envolvendo todos os planos, incluindo a aponeurose e o peritônio, o que pode levar à evisceração (protrusão de conteúdo intra-abdominal). O diagnóstico é eminentemente clínico e deve ser suspeitado em pacientes que apresentam, tipicamente entre o 5º e o 8º dia de pós-operatório, uma drenagem súbita de grande volume de líquido serossanguinolento pela incisão. Essa secreção, classicamente descrita como 'água de carne lavada' ou 'cor de salmão', corresponde ao líquido peritoneal e é um sinal patognomônico de falha no fechamento da aponeurose. Fatores de risco sistêmicos (desnutrição, diabetes) e locais (infecção, aumento da pressão intra-abdominal) contribuem para sua ocorrência. O manejo da deiscência aponeurótica é uma urgência cirúrgica. A conduta inicial visa proteger as vísceras expostas com compressas úmidas e estéreis e preparar o paciente para a reoperação. O tratamento definitivo consiste na exploração da cavidade, lavagem e ressutura da parede abdominal, muitas vezes com o uso de telas de reforço. A prevenção, com técnica cirúrgica apurada e otimização das condições clínicas do paciente, é fundamental.
É a descrição clássica da secreção serossanguinolenta (rósea, translúcida) que drena da incisão cirúrgica, geralmente entre o 5º e o 8º dia de pós-operatório. Este sinal é altamente sugestivo de deiscência da aponeurose, mesmo com a pele aparentemente íntegra.
A conduta é proteger a ferida com compressas estéreis umedecidas com soro fisiológico para evitar a contaminação e o ressecamento das alças, manter o paciente em jejum e prepará-lo para uma reabordagem cirúrgica de urgência para correção da falha aponeurótica.
Os fatores de risco incluem obesidade, desnutrição (hipoalbuminemia), diabetes mellitus, uso de corticoides, tosse crônica, ascite, infecção do sítio cirúrgico e técnica de fechamento inadequada. Qualquer condição que aumente a pressão intra-abdominal ou prejudique a cicatrização é um fator de risco.
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