PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025
Um paciente idoso submetido a uma laparotomia exploradora apresenta, no décimo dia de pós-operatório, drenagem de líquido claro de cor salmão e sensação de queimação na ferida cirúrgica. Após retirada de um dos pontos da incisão, verifica-se parede de alça entre os bordos da aponeurose. Qual das condutas é a mais adequada para tratar essa complicação?
Drenagem de líquido 'cor de salmão' em ferida abdominal pós-op → Sinal de deiscência aponeurótica. Conduta = reabordagem cirúrgica imediata.
A drenagem de líquido serossanguinolento (cor de salmão) é um sinal clássico e ominoso de deiscência da aponeurose, mesmo antes da evisceração completa das alças. A conduta é sempre a reabordagem cirúrgica imediata para explorar e reparar a parede abdominal.
A deiscência de ferida operatória é uma complicação grave da cirurgia abdominal, caracterizada pela separação das camadas da parede abdominal previamente suturadas. Pode ser parcial (envolvendo pele e subcutâneo) ou completa (envolvendo a aponeurose), sendo esta última a mais grave. Quando a deiscência aponeurótica permite a protrusão de conteúdo intra-abdominal, o quadro é chamado de evisceração, uma emergência cirúrgica. O quadro clínico clássico ocorre tipicamente entre o 5º e o 10º dia de pós-operatório. O sinal mais premonitório é a drenagem súbita de um grande volume de líquido serossanguinolento, descrito como 'cor de salmão', pela incisão. Este fluido é o líquido peritoneal, e sua presença indica falha na sutura da fáscia. O paciente pode relatar uma sensação de 'algo rasgando' na ferida. O manejo é sempre cirúrgico e urgente. Qualquer suspeita de deiscência aponeurótica, mesmo sem evisceração visível, exige exploração no centro cirúrgico. A conduta consiste na lavagem da cavidade, inspeção das alças e ressutura da aponeurose, muitas vezes com fios de maior resistência e pontos de reforço. A abordagem conservadora é inadequada e aumenta significativamente a morbimortalidade.
O líquido cor de salmão é o fluido peritoneal (serossanguinolento) que extravasa através da incisão. Sua presença indica que houve uma falha na sutura da aponeurose e do peritônio, criando uma comunicação direta entre a cavidade abdominal e o exterior. É um sinal clássico de deiscência completa da fáscia.
A conduta imediata é cobrir as alças evisceradas com compressas estéreis umedecidas em soro fisiológico morno para evitar ressecamento e contaminação. O paciente deve ser mantido em jejum, receber acesso venoso e analgesia, e ser preparado para cirurgia de emergência.
Os fatores de risco incluem condições que aumentam a pressão intra-abdominal (tosse, vômitos, íleo paralítico, ascite) e fatores que prejudicam a cicatrização (desnutrição, hipoalbuminemia, diabetes, obesidade, tabagismo, uso de corticoides, infecção de sítio cirúrgico).
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