HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025
Mulher, de 42 anos de idade, está no quinto dia de pós-operatório de laparotomia exploradora para tratamento de obstrução intestinal por volvo de sigmoide, tendo sido submetida a ressecção intestinal com anastomose primária nesta ocasião. Hoje, evoluiu com distensão abdominal e saída de secreção em "água de carne" da região média da cicatriz cirúrgica. Tem história de obesidade (IMC de 32kg/m²), hipertensão arterial e diabetes tipo 2 insulino-dependente, sendo também ex-tabagista. Ao exame, não havia sinais de infecção da ferida operatória ou de hipertensão intra-abdominal. A revisão da descrição cirúrgica permitiu constatar que a técnica de fechamento da parede estava adequada. Quais são os fatores de risco para a complicação cirúrgica apresentada pela paciente?
Deiscência fascial: secreção "água de carne" em ferida cirúrgica + fatores de risco (obesidade, diabetes).
A deiscência fascial é uma complicação grave do pós-operatório, caracterizada pela separação das camadas da parede abdominal, com a pele intacta ou não. A secreção serossanguinolenta ("água de carne") é um sinal precoce. Fatores como obesidade e diabetes comprometem a cicatrização e aumentam o risco.
A deiscência fascial é uma complicação grave do pós-operatório de laparotomias, caracterizada pela separação das bordas da aponeurose abdominal, com ou sem exposição das vísceras (evisceração). Sua incidência varia de 0,5% a 3% e está associada a alta morbimortalidade, prolongando a internação e aumentando os custos hospitalares. É crucial para o residente reconhecer os fatores de risco e os sinais precoces para intervenção rápida. A fisiopatologia envolve uma falha na cicatrização da ferida, seja por fatores locais (infecção, técnica cirúrgica inadequada, aumento da pressão intra-abdominal) ou sistêmicos. O diagnóstico é frequentemente clínico, com a saída de secreção serossanguinolenta ("água de carne") pela ferida sendo um sinal patognomônico. Fatores como obesidade (IMC > 30 kg/m²), diabetes mellitus descompensado, desnutrição, idade avançada, tabagismo, uso de corticosteroides e cirurgias de emergência são importantes contribuintes. O tratamento da deiscência fascial pode variar desde o manejo conservador em casos menores até a reoperação de emergência para fechamento da parede abdominal, especialmente em casos de evisceração. A prevenção é fundamental, focando na otimização dos fatores de risco pré-operatórios, técnica cirúrgica meticulosa e controle de complicações pós-operatórias como tosse e vômitos. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção, sendo uma condição que exige atenção imediata para evitar desfechos catastróficos.
Os sinais de alerta incluem distensão abdominal, dor na ferida, e a saída de secreção serossanguinolenta ("água de carne") pela cicatriz cirúrgica, especialmente no 5º ao 8º dia pós-operatório.
Fatores de risco incluem obesidade, diabetes mellitus, desnutrição, tabagismo, uso de corticosteroides, ascite, tosse crônica, vômitos, infecção da ferida e técnicas inadequadas de fechamento.
A deiscência fascial é a separação das camadas profundas, com secreção serossanguinolenta. A infecção superficial envolve apenas pele e subcutâneo, com sinais flogísticos (dor, calor, rubor, edema) e secreção purulenta.
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