UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023
Paciente masculino, 56 anos de idade, encontra-se na unidade de terapia intensiva no 6º dia pós-operatório de laparotomia longitudinal mediana por abdome agudo inflamatório. Após crise de tosse, em decorrência de quadro associado de Covid-19, apresenta drenagem súbita de líquido serossanguinolento em grande quantidade em ferida operatória.Em relação à conduta apropriada, assinale a alternativa correta.
Drenagem súbita de líquido serossanguinolento em PO de laparotomia → suspeitar de deiscência fascial.
A drenagem súbita de grande quantidade de líquido serossanguinolento pela ferida operatória, especialmente após um esforço como a tosse, é um sinal clássico de deiscência fascial. A conduta correta é abrir a ferida para inspecionar a integridade da fáscia e descartar evisceração, agindo rapidamente para evitar complicações graves.
A deiscência de ferida operatória, particularmente a deiscência fascial, é uma complicação grave do pós-operatório de laparotomias, com alta morbimortalidade. Ela ocorre quando as camadas da parede abdominal, especialmente a fáscia, se separam, podendo levar à evisceração. Fatores como aumento da pressão intra-abdominal (tosse, vômito), desnutrição, infecção da ferida e comorbidades (como a COVID-19, que pode causar tosse intensa) aumentam o risco. O quadro clínico típico é a drenagem súbita e profusa de líquido serossanguinolento pela ferida operatória, muitas vezes precedida por um 'estalo' ou sensação de abertura. Este evento geralmente ocorre entre o 5º e o 10º dia pós-operatório. É crucial diferenciar de um seroma simples, que geralmente tem drenagem mais gradual e não está associado à ruptura fascial. A conduta imediata diante da suspeita de deiscência fascial é a inspeção da ferida. Abrir a ferida operatória permite avaliar a integridade da fáscia. Se a deiscência for confirmada, o paciente deve ser preparado para reoperação com fechamento da fáscia, após proteção das alças expostas com compressas úmidas estéreis. A demora no diagnóstico e tratamento aumenta o risco de infecção e evisceração.
Os sinais incluem drenagem súbita de grande quantidade de líquido serossanguinolento pela ferida, sensação de 'abertura' ou 'estouro' na incisão, e, em casos mais graves, a protrusão de alças intestinais (evisceração).
A conduta inicial é abrir a ferida operatória para inspecionar a fáscia. Se houver deiscência, a área deve ser coberta com compressas úmidas estéreis e o paciente preparado para reoperação.
Fatores de risco incluem desnutrição, obesidade, tosse crônica, ascite, infecção da ferida, técnica cirúrgica inadequada, uso de corticosteroides e condições que aumentam a pressão intra-abdominal, como a COVID-19 neste caso.
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