Deiscência de Esternotomia: Melhor Tratamento com Retalho Miocutâneo

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 64 anos foi submetido a revascularização do miocárdio, cujo acesso cirúrgico foi por meio de esternotomia mediana. Após 25 dias de cirurgia, iniciou drenagem purulenta e deiscência da ferida operatória. O tratamento inicial foi feito com desbridamento dos tecidos desvitalizados e terapia por pressão negativa. Após três ciclos de terapia, a ferida cirúrgica encontra-se como mostrado na figura.Qual o melhor tratamento subsequente?

Alternativas

  1. A) Cicatrização por segunda intenção.
  2. B) Enxerto de pele total.
  3. C) Rotação de retalho miocutâneo.
  4. D) Fechamento primário da pele.

Pérola Clínica

Deiscência de esternotomia com perda de substância após desbridamento e terapia por pressão negativa → rotação de retalho miocutâneo para cobertura.

Resumo-Chave

A deiscência de esternotomia, especialmente com drenagem purulenta e falha de tratamentos iniciais como desbridamento e terapia por pressão negativa, indica uma infecção profunda e perda de tecido. Nesses casos, a cicatrização por segunda intenção ou enxerto de pele total são insuficientes. A rotação de um retalho miocutâneo (ex: peitoral maior) é a melhor opção para preencher o defeito, fornecer tecido vascularizado e promover o fechamento da ferida, prevenindo mediastinite e outras complicações.

Contexto Educacional

A deiscência de esternotomia é uma complicação grave da cirurgia cardíaca, frequentemente associada à infecção e à mediastinite. O manejo inicial envolve desbridamento agressivo dos tecidos desvitalizados e, muitas vezes, a terapia por pressão negativa para otimizar o leito da ferida. No entanto, em casos de grandes perdas de substância ou infecção persistente, o fechamento primário ou enxertos de pele são insuficientes. A rotação de retalhos miocutâneos, como o do músculo peitoral maior, é a técnica de escolha para fornecer cobertura adequada, tecido vascularizado e promover a cicatrização, reduzindo o risco de complicações e melhorando o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as complicações mais comuns da esternotomia mediana?

As complicações incluem infecção superficial da ferida, deiscência da ferida operatória e, a mais grave, mediastinite. A mediastinite é uma infecção profunda do esterno e do mediastino, com alta morbidade e mortalidade, exigindo tratamento agressivo.

Quando a rotação de retalho miocutâneo é indicada para deiscência de esternotomia?

A rotação de retalho miocutâneo é indicada em casos de deiscência de esternotomia com perda de substância significativa, exposição de estruturas mediastinais, infecção persistente ou falha de tratamentos conservadores (desbridamento, terapia por pressão negativa). O retalho fornece tecido vascularizado para preencher o espaço morto e promover a cicatrização.

Quais os benefícios da terapia por pressão negativa no tratamento de feridas complexas?

A terapia por pressão negativa (TPN) ajuda a remover exsudatos, reduzir o edema, estimular a formação de tecido de granulação, diminuir a carga bacteriana e aproximar as bordas da ferida. É frequentemente utilizada como ponte para um fechamento definitivo, como a rotação de retalho, preparando o leito da ferida.

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