Deiscência de Aponeurose: Reconhecimento e Manejo Pós-Operatório

UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 79 anos de idade deu entrada no pronto-socorro por dor abdominal há 2 dias. É hipertenso, diabético, obeso e tabagista. Foi feito o diagnóstico de abdome agudo inflamatório sendo submetido à laparotomia exploradora que evidenciou diverticulite perfurada. Foi realizada sigmoidectomia a Hartmann. No 6° dia pós-operatório o paciente teve saída de grande quantidade de líquido sero-hemático por entre os pontos da ferida operatória. Encontrava-se bem do ponto de vista clínico. Qual é a principal hipótese diagnóstica para a complicação pós-operatória apresentada?

Alternativas

  1. A) Abdome agudo hemorrágico relacionado ao ato operatório
  2. B) Deiscência da aponeurose
  3. C) Fístula intestinal
  4. D) Hematoma na parede abdominal
  5. E) Infecção de sítio cirúrgico

Pérola Clínica

Saída de líquido sero-hemático abundante por ferida operatória abdominal no pós-operatório = Deiscência de aponeurose até prova em contrário.

Resumo-Chave

A deiscência da aponeurose é uma complicação grave do pós-operatório de cirurgias abdominais, caracterizada pela separação das camadas da parede abdominal, exceto a pele. A saída de grande quantidade de líquido sero-hemático pela ferida operatória é um sinal clássico, especialmente em pacientes com fatores de risco como idade avançada, obesidade, diabetes e tabagismo.

Contexto Educacional

A deiscência de aponeurose é uma complicação grave e potencialmente fatal em cirurgias abdominais, caracterizada pela falha na cicatrização da fáscia muscular, resultando na separação das bordas da ferida cirúrgica, com a pele permanecendo intacta ou também deiscente. Sua incidência varia, mas é mais comum em pacientes com múltiplos fatores de risco. O reconhecimento precoce é crucial para evitar a progressão para evisceração e suas consequências, sendo um tema de grande relevância para a formação do residente em cirurgia. A fisiopatologia da deiscência envolve uma combinação de fatores que comprometem a força tênsil da ferida e aumentam a pressão intra-abdominal. Fatores como desnutrição, obesidade, diabetes, tabagismo, uso de corticosteroides, infecção da ferida, técnica cirúrgica inadequada e condições que elevam a pressão abdominal (tosse, vômitos, ascite) contribuem para o risco. Clinicamente, a deiscência é frequentemente manifestada pela saída de grande quantidade de líquido sero-hemático pela ferida operatória, geralmente entre o 5º e o 10º dia pós-operatório, sem sinais sistêmicos de infecção grave inicialmente. O manejo da deiscência de aponeurose é primariamente cirúrgico. Uma vez diagnosticada, o paciente deve ser preparado para reoperação imediata para fechamento da parede abdominal, utilizando técnicas que garantam uma sutura forte e sem tensão. Medidas de suporte, como otimização nutricional e controle de comorbidades, são importantes no pré e pós-operatório. A prevenção é a melhor estratégia, enfatizando a técnica cirúrgica adequada, o controle dos fatores de risco e o suporte nutricional adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para deiscência de aponeurose?

Os fatores de risco incluem idade avançada, obesidade, desnutrição, diabetes, tabagismo, doença pulmonar obstrutiva crônica, ascite, uso de corticosteroides, infecção da ferida operatória, técnica cirúrgica inadequada e aumento da pressão intra-abdominal (tosse, vômito).

Qual a diferença entre deiscência de aponeurose e evisceração?

A deiscência de aponeurose é a separação das camadas da parede abdominal, exceto a pele. A evisceração ocorre quando, após a deiscência, há a protrusão de órgãos abdominais através da ferida operatória, sendo uma emergência cirúrgica que requer cobertura imediata dos órgãos e reoperação.

Qual a conduta inicial diante da suspeita de deiscência de aponeurose?

A conduta inicial é cobrir a ferida com compressas estéreis umedecidas com soro fisiológico, proteger os órgãos se houver evisceração, avaliar o estado hemodinâmico do paciente e prepará-lo para reintervenção cirúrgica imediata para fechamento da parede abdominal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo