Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022
Mulher, 41 anos de idade, encontra-se no quarto pós-operatório de gastroplastia redutora pela técnica de bypass em Y de Roux. Recebeu alta hospitalar no segundo pósoperatório e retorna no quarto pós-operatório devido a febre. Ao exame físico encontrase em bom estado geral, FC de 110bpm, temperatura de 38,2ºC, PA: 100x70 mmHg. Ausculta torácica diminuída na base esquerda. Abdome: globoso e doloroso à palpação e sem sinais de irritação peritoneal. Realizados exames bioquímicos: Hb: 11,9 g/dL; Leucograma de 17.385/mm³ ; PCR: 176mg/L. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Pós-gastroplastia (4º PO) + taquicardia + febre + dor abdominal + leucocitose/PCR ↑ → Fístula anastomótica (deiscência).
A deiscência da gastroenteroanastomose é uma complicação grave e precoce da gastroplastia em Y de Roux, manifestando-se com taquicardia, febre, dor abdominal e sinais inflamatórios sistêmicos (leucocitose, PCR elevada) nos primeiros dias pós-operatórios. A taquicardia é um sinal precoce e sensível.
A gastroplastia redutora pela técnica de bypass em Y de Roux é um dos procedimentos cirúrgicos bariátricos mais comuns e eficazes para o tratamento da obesidade mórbida. No entanto, como qualquer cirurgia de grande porte, apresenta riscos de complicações, especialmente no período pós-operatório imediato. O reconhecimento precoce dessas complicações é fundamental para a morbimortalidade do paciente. A deiscência anastomótica, ou fístula, é uma das complicações mais temidas e graves, ocorrendo em cerca de 1-3% dos casos. Geralmente se manifesta nos primeiros dias pós-operatórios (2º ao 7º PO) com um quadro de sepse abdominal. Os sinais e sintomas incluem taquicardia persistente (muitas vezes o primeiro e mais sensível sinal), febre, dor abdominal desproporcional, hipotensão, oligúria, leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios como a PCR. No caso apresentado, a paciente no 4º pós-operatório com febre, taquicardia, dor abdominal, leucocitose e PCR elevada, com ausculta diminuída na base esquerda (sinal de derrame pleural reacional), aponta fortemente para uma fístula anastomótica, sendo a deiscência da gastroenteroanastomose a mais provável. Outras complicações como hérnia interna são mais tardias, embolia pulmonar pode ter quadro semelhante mas a dor abdominal e leucocitose são menos típicas, e atelectasia, embora comum, raramente causa um quadro sistêmico tão exuberante.
Taquicardia persistente, febre, dor abdominal desproporcional, hipotensão, oligúria, leucocitose e elevação da PCR são sinais de alerta importantes.
A taquicardia é um dos primeiros sinais de resposta inflamatória sistêmica e sepse, muitas vezes precedendo a febre ou hipotensão em casos de fístula ou deiscência.
O diagnóstico é suspeito clinicamente e confirmado por exames de imagem (TC de abdome com contraste oral/IV). O tratamento inicial envolve estabilização hemodinâmica, antibióticos de amplo espectro e drenagem da coleção, podendo necessitar de reintervenção cirúrgica.
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