Deiscência de Anastomose: Diagnóstico e Manejo Pós-Operatório

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 28 anos de idade, submetido a ileocolectomia direita de urgência por estenose de íleo terminal secundária a doença de Crohn refratária a tratamento clínico. O procedimento foi realizado sem intercorrências, com confecção de anastomose intestinal primária. Durante a internação, o paciente manteve débito elevado em sonda nasogástrica e evacuação ausente, iniciando quadro de dor abdominal em andar inferior do abdome no oitavo dia pós-operatório. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, desidratado 2+/4+, com frequência cardíaca de 130bpm e pressão arterial de 78x52mmHg. O abdome está distendido, doloroso à palpação de flanco direito e fossa ilíaca direita, com defesa à palpação dessa região. Realizou a tomografia de abdome ilustrada a seguir: Qual é o diagnóstico mais provável para este paciente?

Alternativas

  1. A) Corpo estranho retido
  2. B) Deiscência de anastomose intestinal
  3. C) Megacólon tóxico
  4. D) Abscesso intracavitário

Pérola Clínica

Deiscência anastomótica: dor abdominal, sepse, íleo prolongado > 7º PO.

Resumo-Chave

A deiscência de anastomose é uma complicação grave pós-operatória, geralmente ocorrendo entre o 5º e 10º dia. Manifesta-se com dor abdominal, sinais de sepse (taquicardia, hipotensão), íleo prolongado e, por vezes, débito em drenos ou SNG. A tomografia é crucial para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A deiscência de anastomose intestinal é uma das complicações mais temidas na cirurgia abdominal, especialmente em pacientes com doenças inflamatórias intestinais como a Doença de Crohn. Sua incidência varia, mas pode levar a morbidade e mortalidade significativas. É crucial para o residente reconhecer os sinais precoces para intervenção rápida. A fisiopatologia envolve falha na cicatrização da anastomose, resultando em extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade peritoneal, levando a peritonite e sepse. O diagnóstico é clínico, com suspeita em pacientes com deterioração do estado geral, dor abdominal, febre e sinais de resposta inflamatória sistêmica após o 5º dia pós-operatório. A tomografia computadorizada com contraste oral e venoso é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico. O tratamento da deiscência de anastomose varia desde o manejo conservador com drenagem percutânea de coleções e antibioticoterapia, até a reintervenção cirúrgica com ressecção da anastomose e confecção de ostomia, dependendo da gravidade e estabilidade do paciente. A prevenção envolve otimização do estado nutricional e controle da inflamação pré-operatória.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de deiscência de anastomose intestinal?

Os sinais incluem dor abdominal progressiva, distensão, febre, taquicardia, hipotensão, débito elevado em sonda nasogástrica e ausência de evacuações, geralmente após o 5º dia pós-operatório.

Qual o papel da tomografia no diagnóstico da deiscência de anastomose?

A tomografia computadorizada de abdome é fundamental para identificar coleções líquidas, extravasamento de contraste, pneumoperitônio e espessamento de alças, confirmando a suspeita de deiscência.

Quais são os fatores de risco para deiscência de anastomose em pacientes com Doença de Crohn?

Fatores de risco incluem desnutrição, uso de imunossupressores, doença ativa grave, urgência da cirurgia, hipoalbuminemia e presença de fístulas ou abscessos pré-operatórios.

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