Deiscência de Anastomose: Antibioticoterapia Ideal

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 65 anos de idade, está internada na enfermaria, no sexto dia de pós-operatório de colectomia direita por câncer de cólon. Evoluiu com dor abdominal, vômitos e febre. Ao exame clínico, encontra-se em bom estado geral, FC de 100 bpm e PA de 110x70 mmHg; dor abdominal à palpação difusa com irritação peritoneal. Realizada a tomografia de abdome total com imagem compatível com deiscência da anastomose intestinal. Foi indicada laparotomia exploradora com presença de peritonite purulenta e deiscência da anastomose.Dentre as alternativas abaixo, qual é o esquema de antibioticoterapia mais adequado? 

Alternativas

  1. A) Ceftriaxone + metronidazol; 10 dias.
  2. B) Piperacilina + tazobactan; 10 dias. 
  3. C) Ceftriaxone + metronidazol; 5 dias. 
  4. D) Piperacilina + tazobactan; 5 dias. 

Pérola Clínica

Deiscência anastomótica com peritonite → Piperacilina/Tazobactam por 5 dias (cobertura Gram+, Gram-, anaeróbios).

Resumo-Chave

A deiscência de anastomose com peritonite purulenta é uma infecção intra-abdominal grave que exige cobertura antibiótica de amplo espectro, incluindo Gram-negativos, Gram-positivos e anaeróbios. Piperacilina/Tazobactam é uma excelente escolha empírica. A duração da terapia para infecções intra-abdominais controladas na fonte (como após reoperação) é geralmente de 4-7 dias, sendo 5 dias uma opção comum.

Contexto Educacional

A deiscência de anastomose intestinal é uma complicação grave do pós-operatório de cirurgias gastrointestinais, especialmente em pacientes oncológicos. Sua incidência varia, mas pode levar a peritonite, sepse e alta mortalidade. O reconhecimento precoce e a intervenção cirúrgica são cruciais para o prognóstico do paciente. A fisiopatologia envolve falha na cicatrização da anastomose, permitindo o extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade peritoneal, resultando em peritonite. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem como a tomografia computadorizada. A peritonite purulenta exige controle da fonte (reoperação) e antibioticoterapia empírica de amplo espectro. O tratamento consiste em reintervenção cirúrgica para controle da fonte de infecção e antibioticoterapia sistêmica. A escolha do antibiótico deve cobrir a flora entérica polimicrobiana (Gram-negativos, Gram-positivos e anaeróbios). Piperacilina/Tazobactam é uma excelente opção. A duração da antibioticoterapia, uma vez controlada a fonte, deve ser curta (4-7 dias), para evitar resistência e efeitos adversos, sendo 5 dias um esquema frequentemente adotado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de deiscência de anastomose intestinal no pós-operatório?

Os sinais incluem dor abdominal progressiva, febre, taquicardia, vômitos, distensão abdominal e, em casos graves, sinais de sepse ou irritação peritoneal. A tomografia de abdome é crucial para o diagnóstico.

Por que Piperacilina/Tazobactam é uma boa escolha para peritonite pós-operatória?

Piperacilina/Tazobactam é um antibiótico de amplo espectro que cobre Gram-negativos (incluindo Pseudomonas), Gram-positivos e anaeróbios, sendo eficaz contra a flora polimicrobiana comum em infecções intra-abdominais.

Qual a duração recomendada da antibioticoterapia para infecções intra-abdominais controladas?

Para infecções intra-abdominais com controle adequado da fonte (ex: cirurgia para deiscência), a duração recomendada da antibioticoterapia é geralmente de 4 a 7 dias, sendo 5 dias um esquema comum e eficaz.

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