SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Paciente, sexo feminino, 21 anos, foi admitida na UPA, com quadro de dor súbita em andar inferior do abdômen que depois se generalizou, febre e relatos de ""sensação de falta de ar"", sem conseguir se alimentar ou urinar nas últimas 8 horas. Relata que foi operada há 5 dias em decorrência de ser portadora de endometriose profunda. No relatório de alta havia a informação que fora submetida a ressecção dos focos endometrióticos e retossegmoidectomia segmentar com anastomose colorretal términoterminal mecânica, por via laparoscópica, sem intercorrências e recebendo alta no 3° dia de pós-operatório. À admissão, tinha fáscies de dor, palidez cutâneo mucosa, taquicardia (FC= 144 bpm), taquipneia (FR = 37 irpm), no abdômen havia aumento da tensão abdominal com dor a palpação superficial e profunda e descompressão brusca positiva em todo o abdômen. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Dor abdominal súbita, febre, taquicardia, taquipneia, DB+ pós-retossegmoidectomia → Deiscência anastomótica até prova em contrário.
O quadro clínico de dor abdominal súbita e generalizada, febre, taquicardia, taquipneia e sinais de peritonite (descompressão brusca positiva) em paciente no pós-operatório recente de cirurgia colorretal (retossegmoidectomia com anastomose) é altamente sugestivo de deiscência de anastomose intestinal, uma complicação grave que leva à peritonite e sepse.
A deiscência de anastomose intestinal é uma das complicações mais temidas e graves da cirurgia colorretal, com taxas de morbimortalidade significativas. Ela ocorre quando há uma falha na cicatrização da união entre dois segmentos intestinais, permitindo o extravasamento de conteúdo entérico para a cavidade peritoneal. O diagnóstico precoce é crucial para um desfecho favorável. A fisiopatologia envolve fatores como tensão na anastomose, isquemia, infecção, desnutrição, uso de corticosteroides e técnica cirúrgica. Clinicamente, manifesta-se geralmente entre o 3º e o 7º dia de pós-operatório, com um quadro de abdome agudo inflamatório/séptico. A tríade clássica inclui dor abdominal, febre e taquicardia, frequentemente acompanhada de sinais de peritonite. A suspeita clínica deve ser alta em qualquer paciente com deterioração do estado geral após cirurgia intestinal. O manejo da deiscência de anastomose exige uma abordagem agressiva e multidisciplinar. A estabilização hemodinâmica é prioritária, seguida de antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir flora intestinal. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, como a tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste oral e venoso, que pode evidenciar coleções líquidas, ar extraluminal ou extravasamento de contraste. A reintervenção cirúrgica é frequentemente necessária para drenagem da coleção, reparo da deiscência ou confecção de ostomia de desvio.
Os sinais e sintomas incluem dor abdominal súbita e intensa que pode se generalizar, febre, taquicardia, taquipneia, distensão abdominal, náuseas, vômitos e sinais de peritonite, como descompressão brusca positiva.
A deiscência permite o extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade peritoneal, levando a uma peritonite fecal, que é uma condição grave com alto risco de sepse, falência de múltiplos órgãos e morte se não tratada rapidamente.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro, exames de imagem (tomografia computadorizada com contraste) para confirmar o diagnóstico e, na maioria dos casos, reintervenção cirúrgica de emergência.
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