UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Paciente jovem, no 5º dia pós-operatório de hemicolectomia direita, apresenta febre de 39°C, taquipneia, taquicardia, parada de eliminação de gases e fezes, dor abdominal e distensão abdominal. A complicação pós-operatória em questão diz respeito a
Febre + dor/distensão abdominal + íleo prolongado > 5º DPO de cirurgia intestinal → suspeitar deiscência anastomótica.
A deiscência da anastomose ileocólica é uma complicação grave que deve ser suspeitada em pacientes com febre, dor e distensão abdominal, taquicardia e íleo prolongado no pós-operatório tardio (após o 3º-5º dia) de uma hemicolectomia direita. A parada de eliminação de gases e fezes, juntamente com os outros sintomas, sugere peritonite ou sepse abdominal.
A deiscência da anastomose é uma das complicações mais temidas na cirurgia gastrointestinal, com alta morbidade e mortalidade. Em uma hemicolectomia direita, a anastomose ileocólica é o sítio mais comum. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é crucial para um manejo adequado e para melhorar o prognóstico do paciente. Residentes em cirurgia devem estar vigilantes para essa complicação, especialmente em pacientes com fatores de risco como desnutrição, comorbidades, uso de imunossupressores e técnica cirúrgica inadequada. A fisiopatologia envolve falha na cicatrização da anastomose, levando ao extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade peritoneal, resultando em peritonite e sepse. Os sintomas clássicos incluem febre, dor abdominal, distensão, taquicardia e íleo prolongado, que se manifestam geralmente após o terceiro dia pós-operatório. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos, laboratoriais (leucocitose, PCR elevado) e de imagem (TC de abdome com contraste evidenciando coleções ou extravasamento de contraste). O tratamento da deiscência anastomótica varia desde o manejo conservador em casos de deiscências pequenas e contidas (com drenagem percutânea) até a reintervenção cirúrgica em casos de peritonite difusa ou sepse grave. A cirurgia pode envolver a ressecção da anastomose deiscente, criação de um estoma e drenagem da cavidade. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção, bem como da condição clínica geral do paciente.
Os principais sinais incluem febre persistente ou recorrente, dor abdominal intensa e progressiva, distensão abdominal, taquicardia, taquipneia, leucocitose e sinais de sepse. A parada de eliminação de gases e fezes (íleo prolongado) é um achado comum que indica irritação peritoneal.
A deiscência de anastomose geralmente se manifesta entre o 3º e o 7º dia pós-operatório, embora possa ocorrer mais tardiamente. A manifestação precoce pode ser mais insidiosa, enquanto a tardia tende a ser mais dramática devido à maior contaminação peritoneal.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro, suporte nutricional e investigação diagnóstica com exames de imagem (tomografia computadorizada de abdome com contraste). A confirmação do diagnóstico geralmente leva à reintervenção cirúrgica para correção da deiscência e controle da sepse.
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