Deiscência de Anastomose Colorretal: Riscos e Diagnóstico

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

No oitavo dia de pós operatório de colectomia esquerda videolaparoscópica eletiva por adenocarcinoma com anastomose primária, paciente masculino de 76 anos, inicia com quadro de anorexia, mal estar, desconforto abdominal em flanco esquerdo e saída de secreção fecaloide através do dreno de cavidade. Ao exame mostra-se taquicárdico, normotenso e com abdome plano, flácido, doloroso a palpação ao redor do dreno, sem visceromegalias ou sinais de irritação peritoneal. Em relação a este caso clínico, assinale a assertiva mais adequada:

Alternativas

  1. A) O período de ocorrência desta complicação aponta como possíveis causas fatores relacionados a técnica operatória inadequada.
  2. B) Este paciente pode ser tratado clinicamente através de jejum por pelo menos três dias e antibioticoterapia de amplo espectro, sem necessidade de suporte nutricional.
  3. C) Os fatores relacionados a esta complicação podem ser desnutrição proteica, perda de peso, diabetes, deficiência imunológica, tabagismo, consumo de álcool, idade avançada e obesidade.
  4. D) Uma nova abordagem videolaparoscópica está contraindicada pois este método não permite uma limpeza adequada da cavidade peritoneal, devendo ser realizado laparotomia convencional.
  5. E) Este paciente deve ser submetido a laparotomia para lavagem da cavidade com solução fisiológica abundante e ressutura da parede abdominal, sem necessidade de manutenção do dreno de cavidade.

Pérola Clínica

Secreção fecaloide no dreno + 8º PO → Deiscência de anastomose; fatores sistêmicos (DM, idade) elevam risco.

Resumo-Chave

A deiscência de anastomose no 8º PO é frequentemente influenciada por fatores biológicos do hospedeiro (isquemia, desnutrição) que prejudicam a cicatrização, e não apenas por falha técnica imediata.

Contexto Educacional

A deiscência de anastomose colorretal é uma complicação grave com alta morbimortalidade. Ocorre tipicamente entre o 5º e o 10º dia pós-operatório. A fisiopatologia envolve a falha na integridade da união tecidual, muitas vezes exacerbada por hipóxia local ou tensão na linha de sutura. O reconhecimento precoce de sinais sistêmicos de resposta inflamatória é crucial para evitar a evolução para sepse abdominal grave.

Perguntas Frequentes

Quais os principais fatores de risco para deiscência de anastomose?

Os fatores incluem desnutrição proteica, diabetes mellitus, tabagismo, consumo de álcool, idade avançada, obesidade e uso de corticosteroides. Esses elementos comprometem a microcirculação e a síntese de colágeno no sítio cirúrgico.

Como é feito o diagnóstico de fístula anastomótica?

O diagnóstico é clínico-laboratorial e radiológico. Sinais como saída de secreção entérica/fecaloide pelo dreno, febre, taquicardia e dor abdominal são sugestivos. Tomografia com contraste pode confirmar a presença de coleções ou extravasamento.

Qual a conduta inicial na suspeita de deiscência?

Depende da estabilidade do paciente. Se houver peritonite difusa, a reoperação é mandatória. Em casos bloqueados e estáveis, pode-se optar por manejo conservador com drenagem, jejum, suporte nutricional e antibioticoterapia.

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