CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2011
Paciente do sexo masculino, 62 anos de idade, sem queixas, durante exame oftalmológico de rotina apresentou os achados biomicroscópicos demonstrados na foto, semelhantes em ambos os olhos. o diagnóstico mais provável é:
Afinamento periférico bilateral indolor + Vascularização superior → Degeneração de Terrien.
A Degeneração de Terrien é uma ectasia corneana periférica idiopática, geralmente bilateral e indolor, caracterizada por afinamento progressivo e vascularização superficial.
A Degeneração Marginal de Terrien é uma forma de ectasia corneana periférica de etiologia desconhecida. Caracteriza-se por um afinamento do estroma corneano que preserva o epitélio, acompanhado de vascularização superficial e uma linha de depósitos lipídicos na margem central da área afetada. Ao exame na lâmpada de fenda, observa-se o sulco periférico e a integridade epitelial. O diagnóstico é clínico, baseado na aparência característica e na ausência de sintomas inflamatórios agudos. O manejo é predominantemente conservador, focando na correção óptica do astigmatismo. A intervenção cirúrgica é reservada para casos de afinamento extremo com risco iminente de perfuração ocular após trauma leve.
A Degeneração Marginal de Terrien é caracterizada por ser um processo crônico, geralmente indolor e não inflamatório, que resulta em afinamento periférico da córnea, frequentemente começando na região superior. É comum a presença de vascularização superficial e depósitos lipídicos na borda do afinamento. Em contraste, a Úlcera de Mooren é uma condição autoimune grave, marcada por dor intensa, fotofobia e inflamação conjuntival/episcleral significativa. A Úlcera de Mooren apresenta uma borda de progressão 'escavada' (overhanging edge) e não possui os depósitos lipídicos típicos de Terrien. Enquanto Terrien é manejado conservadoramente ou com lentes de contato, a Mooren exige imunossupressão agressiva.
O impacto na visão na Degeneração de Terrien decorre principalmente do desenvolvimento de astigmatismo irregular progressivo. À medida que a periferia da córnea afina e sofre ectasia, a curvatura corneana central é alterada, resultando em astigmatismo 'contra a regra' ou irregular de difícil correção com óculos. Em estágios iniciais, a visão pode ser preservada, mas com a progressão, pode ser necessário o uso de lentes de contato rígidas ou, em casos extremos de afinamento com risco de perfuração, procedimentos cirúrgicos como ceratoplastia lamelar periférica.
A Degeneração Marginal de Terrien é uma condição rara que pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequentemente diagnosticada em homens entre a segunda e quarta décadas de vida. Geralmente é bilateral, embora possa ser assimétrica. A progressão é muito lenta, ocorrendo ao longo de décadas. O afinamento começa tipicamente na periferia superior, progredindo circunferencialmente. Diferente de outras ectasias, o epitélio permanece intacto, por isso não há coloração com fluoresceína (ausência de úlcera ativa), o que reforça seu caráter não inflamatório.
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