Degeneração Marginal Pelúcida: Diagnóstico e Clínica

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010

Enunciado

Qual das características clínicas de afinamento da córnea é a mais relevante para o diagnóstico da degeneração marginal pelúcida?

Alternativas

  1. A) Na região inferior, localizado inferiormente ao ápice da ectasia
  2. B) Na porção inferior, coincidindo exatamente com o ápice da ectasia
  3. C) Na porção superior, com epitélio intacto e depósito de lipídios nesta região, ocasionando astigmatismo irregular e assimétrico
  4. D) De toda a circunferência, com defeito epitelial e inflamação ocular

Pérola Clínica

DMP = Afinamento periférico inferior (4h-8h) → Ectasia ocorre SUPERIOR ao afinamento.

Resumo-Chave

Na degeneração marginal pelúcida, o afinamento é periférico e inferior, enquanto a protrusão máxima (ápice) localiza-se logo acima da zona de afinamento, criando o padrão 'crab-claw'.

Contexto Educacional

A degeneração marginal pelúcida é uma condição ectásica rara, bilateral e progressiva. Sua fisiopatologia envolve o enfraquecimento estrutural da córnea periférica inferior. Clinicamente, manifesta-se por baixa acuidade visual devido ao astigmatismo irregular progressivo, geralmente iniciando-se entre a segunda e quinta décadas de vida. Diferente da ceratoglobo, o afinamento é localizado e não global. O manejo clínico é desafiador, pois lentes de contato rígidas são difíceis de adaptar devido à excentricidade da ectasia. Procedimentos cirúrgicos como o cross-linking podem ser indicados para estabilização, enquanto ceratoplastias lamelares ou penetrantes são reservadas para casos avançados onde a correção óptica é impossível.

Perguntas Frequentes

Onde ocorre o afinamento na degeneração marginal pelúcida?

O afinamento na degeneração marginal pelúcida (DMP) ocorre tipicamente em uma banda periférica na região inferior da córnea, geralmente entre as posições de 4 e 8 horas. Diferente do ceratocone, onde o afinamento é central ou paracentral, na DMP ele é bem mais periférico, poupando o limbo por cerca de 1 a 2 mm. Essa localização específica é fundamental para o diagnóstico diferencial de outras ectasias corneanas.

Qual a relação entre o afinamento e o ápice da ectasia na DMP?

Na DMP, a protrusão ou ectasia máxima da córnea ocorre na região imediatamente superior à zona de afinamento. Isso significa que o ápice da ectasia não coincide com o ponto mais fino da córnea, mas sim se projeta acima dele. Essa configuração geométrica resulta em um astigmatismo irregular acentuado, frequentemente do tipo 'contra a regra', que é característico nos exames de topografia corneana.

Como diferenciar a DMP do ceratocone na topografia?

A topografia da DMP exibe classicamente o padrão em 'pinça de caranguejo' (crab-claw), caracterizado por um encurvamento periférico inferior que se estende para as regiões temporais e nasais inferiores. No ceratocone, o encurvamento é tipicamente central ou inferior-paracentral, com o ponto de maior curvatura coincidindo mais proximamente com o ponto de maior afinamento paquimétrico.

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