CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2012
Um paciente que tem uma visão semelhante a essa pode ser portador, mais provavelmente, de:
Metamorfopsia + perda visual central súbita em idosos → DMRI exsudativa.
A forma exsudativa da DMRI é caracterizada por neovascularização coroidal, levando a edema e distorção visual (metamorfopsia) que requer tratamento urgente com anti-VEGF.
A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é a principal causa de cegueira irreversível em países desenvolvidos em pessoas acima de 50 anos. A forma exsudativa, embora menos comum que a seca (cerca de 10-15% dos casos), é responsável pela maioria dos casos de perda visual grave. A fisiopatologia envolve a angiogênese patológica mediada pelo fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), resultando em vasos frágeis que rompem a membrana de Bruch. O tratamento revolucionou-se com os agentes anti-VEGF (como ranibizumabe, aflibercepte e brolucizumabe), que estabilizam ou até melhoram a visão na maioria dos pacientes, desde que o tratamento seja instituído antes da formação de cicatriz disciforme fibrótica irreversível.
Metamorfopsia é a percepção distorcida de imagens, onde linhas retas parecem onduladas ou tortas. Na DMRI exsudativa, isso ocorre devido à presença de fluido (edema), sangue ou descolamento do epitélio pigmentado da retina causado por membranas neovasculares coroidais. Esse acúmulo de líquido sob a retina ou dentro dela altera a arquitetura dos fotorreceptores maculares, fazendo com que a luz seja captada de forma irregular, resultando na distorção visual característica.
A DMRI seca (atrófica) progride lentamente ao longo de anos, com perda gradual da visão central e presença de drusas e alterações pigmentares. Já a DMRI exsudativa (úmida) manifesta-se por uma perda visual central súbita ou subaguda e metamorfopsia marcante. Ao exame de fundo de olho, a forma exsudativa apresenta hemorragias sub-retinianas, exsudatos lipídicos ou fluido, enquanto a forma seca apresenta áreas de atrofia geográfica sem sinais de extravasamento vascular.
A Grade de Amsler é uma ferramenta de triagem simples e eficaz para detectar precocemente alterações maculares. O paciente deve observar a grade regularmente (um olho por vez); qualquer ondulação das linhas ou aparecimento de áreas escuras (escotomas) sugere atividade neovascular ou progressão da doença. A detecção precoce através deste teste permite o início imediato da terapia com injeções intravítreas de anti-VEGF, o que é crucial para preservar a acuidade visual.
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