CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Dos pacientes abaixo relacionados, qual tem maior risco de apresentar DMRI?
Idade > 60 anos + Tabagismo + Etnia branca + Obesidade = Perfil de maior risco para DMRI.
A DMRI é a principal causa de cegueira irreversível em idosos; o tabagismo é o fator de risco modificável mais importante, potencializando o dano oxidativo na retina.
A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma doença degenerativa da área central da retina (mácula), resultando em perda da visão central. Ela é classificada em duas formas: seca (atrófica), que é mais comum e de progressão lenta, e úmida (exsudativa/neovascular), caracterizada por membranas neovasculares sub-retinianas e perda visual rápida. O manejo clínico foca na prevenção e controle de fatores de risco. Para a forma seca, a suplementação com fórmulas baseadas no estudo AREDS2 (antioxidantes e zinco) pode reduzir a progressão em casos selecionados. Para a forma úmida, o padrão-ouro é o uso de injeções intravítreas de anti-VEGF. O reconhecimento precoce dos fatores de risco é essencial para o rastreamento adequado e intervenção oportuna.
Os principais fatores de risco não modificáveis para a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) incluem a idade avançada (especialmente acima de 60-65 anos), a etnia branca (caucasianos têm maior prevalência de formas graves) e a predisposição genética, com destaque para polimorfismos no gene do fator H do complemento (CFH). Além disso, o histórico familiar positivo aumenta consideravelmente a chance de desenvolvimento da patologia. A cor da íris também é citada, sendo íris claras associadas a um risco ligeiramente superior devido à menor proteção contra a radiação ultravioleta.
O tabagismo é o fator de risco modificável mais robusto para a DMRI. Ele atua através de múltiplos mecanismos: aumenta o estresse oxidativo sistêmico e local na retina, reduz os níveis de antioxidantes plasmáticos (como vitamina C e carotenoides), altera o fluxo sanguíneo coroideano e ativa a cascata do complemento. Estudos demonstram que fumantes têm um risco duas a três vezes maior de desenvolver DMRI em comparação com não fumantes, e o abandono do hábito reduz o risco progressivamente ao longo dos anos, embora possa levar décadas para igualar ao de um nunca fumante.
A obesidade está associada a um estado inflamatório crônico de baixa intensidade e a um aumento do estresse oxidativo, ambos mecanismos centrais na fisiopatologia da DMRI. O tecido adiposo excessivo pode sequestrar carotenoides maculares (luteína e zeaxantina), reduzindo a densidade do pigmento macular que protege os fotorreceptores contra a luz azul. Além disso, a obesidade frequentemente coexiste com dietas ricas em gorduras saturadas e baixo consumo de vegetais, o que acelera a progressão de drusas precoces para formas avançadas da doença, como a atrofia geográfica ou a forma neovascular.
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