Degeneração Carnosa de Mioma: Diagnóstico e Manejo na Gestação

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Paciente com 35 anos de idade, gestante no curso de 28 semanas, procura o serviço de emergência de uma maternidade com dor progressiva e localizada que não cessa com analgésicos habituais há três dias. Nega febre ou perdas genitais, informa boa movimentação fetal. Ao exame, percebe-se grande massa adjacente ao útero gravídico, amolecida, no entanto, a dinâmica uterina e o sinal de Blumberg estão ausentes. Durante o internamento, não respondeu aos analgésicos mais potentes. Realizou ultrassonografia que revelou nódulo miometrial/subseroso ecoico de 400cm³, heterogêneo com áreas císticas. Distancia-se da cavidade uterina por 1,5 cm. Considerando o cenário acima, assinale a alternativa que reúne o provável diagnóstico e a conduta mais adequada.

Alternativas

  1. A) Mioma torcido/ morfina
  2. B) Cisto hemorrágico/codeina
  3. C) Degeneração hialina/expectante
  4. D) Degeneração carnosa/miomectomia
  5. E) Cisto torcido/laparoscopia

Pérola Clínica

Gestante com mioma grande + dor intensa refratária + USG heterogênea = Degeneração carnosa. Conduta: Analgesia potente.

Resumo-Chave

A degeneração carnosa (ou rubra) é a complicação mais comum de miomas na gestação, caracterizada por dor intensa e refratária a analgésicos comuns, devido à isquemia e necrose. O tratamento é primariamente conservador com analgesia potente, e a miomectomia durante a gestação é rara e reservada para casos extremos.

Contexto Educacional

Os miomas uterinos são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino e podem coexistir com a gravidez, sendo encontrados em 2-12% das gestações. Embora a maioria seja assintomática, complicações podem surgir, sendo a degeneração carnosa (ou rubra) a mais frequente. A degeneração carnosa ocorre devido ao rápido crescimento do mioma sob estímulo hormonal da gravidez, superando seu suprimento sanguíneo e levando à isquemia e necrose asséptica. Clinicamente, manifesta-se por dor abdominal intensa, localizada, que não cede com analgésicos habituais, podendo ser acompanhada de febre baixa e leucocitose. O diagnóstico é clínico e confirmado por ultrassonografia, que mostra o mioma aumentado, com ecogenicidade alterada e áreas de necrose ou hemorragia. O tratamento é predominantemente conservador, com repouso e analgesia potente, incluindo anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) no segundo trimestre e opioides, se necessário. A miomectomia durante a gestação é uma exceção, reservada para casos de dor intratável ou outras complicações graves, devido ao alto risco de hemorragia e parto prematuro. O prognóstico fetal geralmente é bom, mas há um risco aumentado de parto prematuro e restrição de crescimento.

Perguntas Frequentes

O que é a degeneração carnosa (rubra) de um mioma?

É uma complicação comum de miomas na gravidez, resultante de isquemia e necrose asséptica devido ao crescimento rápido do mioma e suprimento sanguíneo inadequado, levando a dor intensa.

Como diferenciar a degeneração carnosa de outras causas de dor abdominal na gestação?

A degeneração carnosa se manifesta com dor localizada e progressiva, refratária a analgésicos comuns, sem sinais de irritação peritoneal ou dinâmica uterina. A ultrassonografia revela um mioma aumentado, heterogêneo, com áreas císticas ou hemorrágicas.

Qual o tratamento para a degeneração carnosa de mioma na gravidez?

O tratamento é primariamente conservador, focado no alívio da dor com analgésicos potentes (opioides podem ser necessários). A miomectomia durante a gestação é raramente indicada devido aos riscos de hemorragia e parto prematuro.

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