UNIRG Revalida - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022
Mulher de 35 anos, com ciclos menstruais irregulares, procura clínica de reprodução assistida por queixa de infertilidade. Traz resultados de espermogramas do parceiro, coletado com condições ideais, sem alterações. Relata ter tido a menarca aos 12 anos de idade, nunca engravidou. Associado a essa alteração menstrual, apresenta dor pélvica crônica e dispareunia. No exame clínico, não foram constatadas alterações dignas de nota.A respeito do caso descrito, assinale a afirmativa correta.
Endometriose = tecido endometrial fora do útero, causa dor pélvica, infertilidade e pode afetar vísceras como intestino.
A endometriose é definida pela presença de glândulas e estroma endometrial fora da cavidade uterina, frequentemente em vísceras pélvicas e peritônio. Seus sintomas clássicos incluem dor pélvica crônica, dispareunia e infertilidade, podendo também causar alterações intestinais ou urinárias dependendo da localização das lesões.
A endometriose é uma doença crônica definida pela presença de tecido endometrial (glândulas e estroma) fora da cavidade uterina, que responde às flutuações hormonais do ciclo menstrual. Acomete cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e é uma das principais causas de dor pélvica crônica, dispareunia e infertilidade. Sua etiologia exata ainda é incerta, mas a teoria da menstruação retrógrada é a mais aceita, combinada com fatores genéticos, imunológicos e ambientais. As lesões endometrióticas podem ser encontradas em diversas localizações, sendo as mais comuns o peritônio pélvico, ovários, ligamentos uterossacros e septo retovaginal. No entanto, podem ocorrer em vísceras como intestino e bexiga, explicando sintomas como alterações do hábito intestinal ou hematúria cíclica. O diagnóstico é frequentemente desafiador devido à inespecificidade dos sintomas e à necessidade de confirmação histopatológica, geralmente obtida por laparoscopia. Achados laparoscópicos típicos incluem lesões em 'queimadura de pólvora', aderências e endometriomas ovarianos. O manejo da endometriose é complexo e individualizado, visando o alívio da dor, a melhora da fertilidade e a prevenção da progressão da doença. Inclui opções clínicas (analgésicos, terapia hormonal) e cirúrgicas (remoção das lesões). Para residentes, é crucial reconhecer a ampla gama de apresentações clínicas da endometriose e entender a importância de uma abordagem multidisciplinar para o diagnóstico e tratamento eficazes, melhorando a qualidade de vida das pacientes.
Os sintomas mais comuns da endometriose incluem dor pélvica crônica, dismenorreia (dor menstrual intensa), dispareunia (dor durante a relação sexual), infertilidade e, dependendo da localização das lesões, sintomas urinários ou intestinais cíclicos, como disquesia ou hematúria.
O diagnóstico definitivo da endometriose é histopatológico, obtido por biópsia de lesões suspeitas durante a laparoscopia. Exames de imagem como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética pélvica são úteis para identificar lesões e guiar o tratamento, mas não são definitivos.
Fatores de risco incluem menarca precoce, ciclos menstruais curtos, sangramento menstrual intenso e prolongado, e história familiar. Fatores de proteção são multiparidade, lactação, menopausa tardia e, em alguns estudos, atividade física regular.
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