DRGE: Quando Suspeitar e Quando Não?

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Os casos clínicos abaixo são sugestivos de Doença de Refluxo Gastroesofágico (DRGE), EXCETO:

Alternativas

  1. A) Paciente do sexo masculino, obeso, com história de episódio de pirose ocasional associada a alimentação copiosa rica em gordura e consumo de álcool, com endoscopia normal.
  2. B) Grávida de 32 semanas, queixando mais de 4 episódios de pirose após refeições por semana.
  3. C) Paciente do sexo masculino, 38 anos, com rouquidão crônica de difícil tratamento e volumosa hérnia de hiato à endoscopia.
  4. D) Neuropata, 2 anos de idade, com história de episódios frequentes de regurgitação de leite e internações por pneumonia.

Pérola Clínica

DRGE exige sintomas persistentes (>2x/semana) ou complicações; pirose ocasional não é DRGE.

Resumo-Chave

A DRGE é definida pela ocorrência de sintomas incômodos ou complicações decorrentes do refluxo de conteúdo gástrico. Episódios ocasionais de pirose, especialmente associados a gatilhos dietéticos específicos, sem frequência ou gravidade que afetem a qualidade de vida, não configuram DRGE.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica que ocorre quando o refluxo do conteúdo gástrico causa sintomas incômodos e/ou complicações. É crucial diferenciar a DRGE do refluxo gastroesofágico fisiológico, que são episódios ocasionais e breves de refluxo que não causam desconforto significativo ou lesões. A prevalência da DRGE é alta, afetando uma parcela considerável da população adulta. O diagnóstico da DRGE é primariamente clínico, baseado na presença de sintomas típicos como pirose e regurgitação, que ocorrem com frequência (geralmente mais de duas vezes por semana) e afetam a qualidade de vida do paciente. Fatores de risco incluem obesidade, gravidez, hérnia de hiato e certas condições neurológicas. Manifestações atípicas, como rouquidão crônica, tosse e asma, também podem ser indicativas de DRGE. A endoscopia digestiva alta é um exame importante para avaliar a presença de esofagite erosiva ou outras complicações, mas um exame normal não exclui o diagnóstico de DRGE. O tratamento envolve modificações no estilo de vida e terapia farmacológica, principalmente com inibidores da bomba de prótons. É fundamental que o residente saiba identificar os casos que realmente se enquadram na definição de DRGE para evitar tratamentos desnecessários ou inadequados.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre refluxo gastroesofágico fisiológico e Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)?

O refluxo fisiológico é a passagem ocasional e breve de conteúdo gástrico para o esôfago, sem causar sintomas incômodos ou lesões. A DRGE, por outro lado, envolve sintomas frequentes, incômodos ou complicações decorrentes desse refluxo.

Quais são os sintomas clássicos da DRGE?

Os sintomas clássicos da DRGE são pirose (azia) e regurgitação. Outros sintomas podem incluir dor torácica não cardíaca, disfagia e odinofagia.

A endoscopia digestiva alta é sempre alterada na DRGE?

Não, a endoscopia digestiva alta pode ser normal em até 70% dos pacientes com DRGE, caracterizando a Doença do Refluxo Não Erosiva (DRNE). A presença de esofagite erosiva ou outras complicações é um achado mais específico.

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