UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Pode se afirmar que aneurismas são diagnosticados, em relação ao diâmetro normal de uma artéria, quando há aumento de:
Aneurisma = dilatação focal permanente ≥ 50% do diâmetro arterial normal adjacente.
Um aneurisma é definido morfologicamente por um aumento de pelo menos 50% no diâmetro transverso de uma artéria em comparação ao seu segmento normal, diferenciando-se da ectasia.
A definição de aneurisma é um pilar da cirurgia vascular e da patologia cardiovascular. Um aneurisma verdadeiro envolve todas as três camadas da parede arterial (íntima, média e adventícia), distinguindo-se do pseudoaneurisma, que é um hematoma pulsátil contido apenas pela adventícia ou tecidos perivasculares. O limite de 50% de aumento do diâmetro é o padrão-ouro para o diagnóstico, pois abaixo desse valor as alterações hemodinâmicas e o risco de eventos agudos são significativamente menores. Fisiopatologicamente, o aneurisma resulta de um desequilíbrio entre a síntese e a degradação de proteínas estruturais na parede do vaso. A inflamação crônica e o estresse oxidativo levam à ativação de metaloproteinases de matriz (MMPs), que degradam o colágeno e a elastina. Com a perda da integridade estrutural, a lei de Laplace explica por que o vaso continua a dilatar: conforme o raio aumenta, a tensão na parede também aumenta, criando um ciclo vicioso que pode culminar na ruptura se não houver intervenção oportuna.
A diferenciação entre ectasia e aneurisma é fundamental na prática da cirurgia vascular. Enquanto a ectasia representa uma dilatação arterial que não atinge o limiar de 50% de aumento em relação ao diâmetro do segmento proximal normal, o aneurisma verdadeiro é definido por ultrapassar esse valor. Essa distinção não é apenas semântica, mas implica em diferentes protocolos de vigilância e risco de ruptura. Clinicamente, um vaso ectasiado requer acompanhamento menos frequente, enquanto o aneurisma, dependendo de sua localização e diâmetro absoluto, pode exigir intervenção cirúrgica ou endovascular imediata para prevenir complicações catastróficas como a dissecção ou a ruptura espontânea, especialmente em aortas abdominais e torácicas onde o diâmetro é o principal preditor de risco.
O desenvolvimento de aneurismas, particularmente o de aorta abdominal (AAA), está fortemente associado a fatores genéticos, ambientais e hemodinâmicos. O tabagismo é o fator de risco modificável mais potente, aumentando drasticamente a taxa de expansão e o risco de ruptura. A idade avançada (geralmente acima de 65 anos), o sexo masculino e a história familiar positiva também são preditores cruciais. Além disso, a hipertensão arterial sistêmica e a dislipidemia contribuem para a degradação da matriz extracelular na camada média da artéria, enfraquecendo a parede vascular. Diferente da doença oclusiva, a aterosclerose é frequentemente associada, mas a fisiopatologia do aneurisma envolve uma proteólise ativa das fibras de elastina e colágeno.
O rastreio do Aneurisma de Aorta Abdominal (AAA) é recomendado por diversas sociedades internacionais, como a USPSTF e a SVS, para homens entre 65 e 75 anos que já fumaram em algum momento da vida. O exame de escolha é a ultrassonografia de abdome, devido ao seu baixo custo, ausência de radiação e alta sensibilidade. Para mulheres ou homens não fumantes, o rastreio é individualizado com base na história familiar. Se o diâmetro for inferior a 3,0 cm, não é necessário novo rastreio. Entre 3,0 e 3,9 cm, o acompanhamento é anual; entre 4,0 e 4,9 cm, semestral; e acima de 5,0-5,5 cm, a intervenção cirúrgica deve ser discutida devido ao risco de ruptura superar o risco operatório.
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