MedEvo Simulado — Prova 2026
Arnaldo, 54 anos, foi submetido a uma enterectomia extensa devido a um quadro de isquemia mesentérica aguda, evoluindo com síndrome do intestino curto e uma jejunostomia de alto débito, com perdas médias de 2.800 mL por dia. O paciente está em regime de Nutrição Parenteral Total (NPT) exclusiva há seis semanas, sem suplementação adicional de oligoelementos além da formulação padrão. Recentemente, passou a apresentar lesões cutâneas eritemato-descamativas e vesicobolhosas, com distribuição predominante em regiões periorificiais e extremidades, além de alopecia difusa e uma interrupção súbita na progressão da cicatrização da ferida operatória abdominal. O paciente também queixa-se de apatia e episódios de irritabilidade. O micronutriente cuja deficiência justifica o quadro clínico descrito é o:
Dermatite periorificial + Alopecia + Alto débito intestinal + NPT → Deficiência de Zinco.
O zinco é essencial para síntese proteica e divisão celular. Perdas digestivas altas (estomas/fístulas) e NPT prolongada sem suplementação adequada de oligoelementos levam rapidamente à deficiência clínica manifestada por lesões cutâneas e falha na cicatrização.
A deficiência de zinco em pacientes sob Nutrição Parenteral Total (NPT) é uma complicação metabólica crítica, especialmente naqueles com Síndrome do Intestino Curto. O zinco atua como cofator para mais de 300 enzimas, desempenhando papel crucial na transcrição de DNA e síntese de proteínas. Clinicamente, a deficiência manifesta-se como uma dermatite acral e periorificial, mimetizando a acrodermatite enteropática genética. A alopecia difusa e a interrupção da cicatrização ocorrem devido à falha na proliferação de queratinócitos e fibroblastos. Em pacientes com perdas intestinais volumosas, a excreção de zinco é acentuada, exigindo monitoramento rigoroso e suplementação individualizada. O diagnóstico é eminentemente clínico, embora níveis séricos baixos corroborem o quadro, lembrando que o zinco é um reagente de fase aguda negativo, podendo estar baixo em estados inflamatórios sem deficiência real de estoque.
A tríade clássica inclui dermatite (especialmente periorificial, anogenital e em extremidades), alopecia e diarreia. Além disso, observa-se atraso significativo na cicatrização de feridas, alterações no paladar (disgeusia), apatia, irritabilidade e prejuízo na função imunológica, o que aumenta a susceptibilidade a infecções secundárias.
O zinco é secretado no trato gastrointestinal superior através das secreções pancreatobiliares e intestinais proximais, sendo normalmente reabsorvido no intestino delgado distal. Em pacientes com jejunostomia de alto débito ou fístulas entéricas, esse ciclo entero-hepático é interrompido, resultando em perdas massivas de zinco que superam a oferta padrão das formulações de NPT.
O tratamento envolve a suplementação intravenosa de zinco na bolsa de NPT. Enquanto a dose basal é de 2,5 a 5 mg/dia, em casos de perdas digestivas importantes, pode ser necessário adicionar cerca de 12 mg de zinco por litro de fluido entérico perdido para manter o balanço metabólico e a integridade dos tecidos.
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