SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2022
Recém-nascido, 8 dias de vida, nascido a termo, foi submetido à circuncisão sem intercorrências. Nas 24 horas seguintes ao procedimento, mantém sangramento no local, em pequena quantidade mas constante. Está em bom estado geral, anictérico, aceitando eite materno e com evacuações e diurese presentes, a ferida cirúrgica está em bom estado. Recebeu a primeira dose de vitamina K oral na maternidade. Tem tempo de protrombina e tempo de tromboplastina ativada aumentados e contagem de plaquetas e dosagem de fibrinogênio normais. O diagnóstico provável para o quadro é
RN com sangramento, TP/TTPa ↑ e plaquetas/fibrinogênio normais → deficiência de Vit K.
O quadro de sangramento em um recém-nascido, com tempo de protrombina (TP) e tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) prolongados, mas com contagem de plaquetas e fibrinogênio normais, é altamente sugestivo de deficiência de vitamina K. Mesmo com a dose profilática oral, pode ocorrer deficiência tardia, especialmente se a absorção for inadequada ou a dose inicial insuficiente.
A doença hemorrágica do recém-nascido (DHRN) é uma condição grave causada pela deficiência de vitamina K, essencial para a síntese de fatores de coagulação (II, VII, IX, X). Embora a profilaxia universal com vitamina K ao nascimento tenha reduzido drasticamente sua incidência, casos ainda podem ocorrer, especialmente a forma tardia, em recém-nascidos que recebem apenas vitamina K oral e têm absorção inadequada ou são exclusivamente amamentados. A importância clínica reside no risco de sangramentos graves, incluindo hemorragia intracraniana, que podem levar a sequelas neurológicas ou óbito. A fisiopatologia da DHRN decorre da baixa reserva de vitamina K ao nascimento, imaturidade hepática e baixa concentração de vitamina K no leite materno. O quadro clínico pode variar de sangramentos leves (como no local da circuncisão ou cordão umbilical) a hemorragias graves. O diagnóstico é suspeitado em RNs com sangramento inexplicável e alterações nos testes de coagulação. Tipicamente, o tempo de protrombina (TP) e o tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) estão prolongados, enquanto a contagem de plaquetas e os níveis de fibrinogênio são normais, o que ajuda a diferenciar de outras coagulopatias. O tratamento da DHRN estabelecida envolve a administração de vitamina K parenteral. A profilaxia universal com vitamina K ao nascimento (1 mg IM ou 2 mg VO) é a medida mais eficaz para prevenir a doença. É crucial que os residentes saibam interpretar os testes de coagulação em recém-nascidos e considerar a deficiência de vitamina K como uma causa importante de sangramento, mesmo em bebês que receberam a profilaxia oral, pois a absorção pode ser variável.
A vitamina K é essencial para a síntese hepática dos fatores de coagulação II (protrombina), VII, IX e X, além das proteínas C e S. A deficiência de vitamina K afeta a função desses fatores, levando a distúrbios de coagulação.
O TP (tempo de protrombina) avalia a via extrínseca e comum da coagulação, sendo sensível à deficiência do fator VII. O TTPa (tempo de tromboplastina parcial ativada) avalia a via intrínseca e comum, sendo sensível à deficiência dos fatores IX e X. Como a vitamina K afeta múltiplos fatores de ambas as vias, ambos os tempos se prolongam.
A profilaxia da doença hemorrágica do RN é realizada com a administração de vitamina K ao nascimento. A dose padrão é de 1 mg intramuscular ou 2 mg oral. A via intramuscular é mais eficaz na prevenção da doença tardia, devido à absorção mais garantida.
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