UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher, 58a, procura a Unidade Básica de Saúde por dificuldade para andar nos últimos seis meses. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial e diabetes. Medicamentos em uso: losartana; anlodipino; metformina e gliclazida. Exame físico: PA=118/78mmHg; FC=72bpm; FR=14irpm. Exame neurológico: abolição dos reflexos patelar e aquileu bilateralmente; redução da sensibilidade vibratória no primeiro pododáctilo direito e esquerdo. Exames laboratoriais: hemoglobina=12,4g/dL; VCM=110fL; CHCM=33g/dL; RDW=14%; hemoglobina glicada=7,2%; creatinina=1,1mg/dL. O EXAME INDICADO PARA A CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA É:
Neuropatia + macrocitose + uso de metformina → suspeitar deficiência de B12; confirmar com dosagem sérica.
A paciente apresenta sinais de neuropatia periférica e macrocitose, além de usar metformina, um medicamento que pode induzir deficiência de vitamina B12. A deficiência de B12 causa neuropatia e macrocitose. Portanto, a dosagem sérica de vitamina B12 é o exame chave para confirmar essa hipótese diagnóstica.
A neuropatia periférica é uma complicação comum do diabetes mellitus, mas é crucial que residentes e profissionais de saúde considerem diagnósticos diferenciais, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais. A deficiência de vitamina B12 é uma causa importante de neuropatia e pode ser exacerbada pelo uso de metformina, um medicamento amplamente prescrito para diabetes tipo 2. A fisiopatologia da deficiência de vitamina B12 leva a alterações hematológicas (macrocitose, anemia megaloblástica) e neurológicas, como a neuropatia periférica e a mielopatia combinada subaguda. A metformina, ao longo do tempo, pode interferir na absorção de B12 no íleo terminal. Os sintomas neurológicos podem incluir parestesias, dormência, fraqueza muscular, perda de reflexos e diminuição da sensibilidade vibratória, mimetizando a neuropatia diabética. A suspeita deve surgir em pacientes diabéticos em uso de metformina que desenvolvem sintomas neurológicos e/ou macrocitose. O diagnóstico da deficiência de vitamina B12 é confirmado pela dosagem sérica de B12. Em alguns casos, a dosagem de ácido metilmalônico e homocisteína pode ser útil para confirmar a deficiência funcional, mesmo com níveis séricos de B12 limítrofes. O tratamento envolve a suplementação de vitamina B12, que pode reverter os sintomas neurológicos se iniciada precocemente, embora alguns danos possam ser irreversíveis. É fundamental monitorar os níveis de B12 em pacientes em uso prolongado de metformina.
A deficiência de vitamina B12 pode causar neuropatia periférica (parestesias, fraqueza, abolição de reflexos, perda de sensibilidade vibratória), ataxia e, em casos graves, mielopatia combinada subaguda.
A metformina pode interferir na absorção de vitamina B12 no íleo terminal, possivelmente alterando a função do fator intrínseco ou a motilidade intestinal, levando à deficiência em uso prolongado.
Ambas podem causar sintomas semelhantes. A deficiência de B12 é sugerida por macrocitose (VCM elevado) e pode ser confirmada pela dosagem sérica de B12. A neuropatia diabética é um diagnóstico de exclusão e está associada ao controle glicêmico.
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