Deficiência de Vitamina A Pós-Bariátrica: Sintomas e Diagnóstico

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 45 anos com queixa de astenia e edema generalizado há 6 meses, com piora importante\nhá uma semana. Refere cirurgia bariátrica há 10 anos, sem suplementações regulares por questões\nfamiliares. Após a cirurgia, apresenta evacuações mais pastosas e com odor fétido. Há 8 meses\napresentou episódio de cegueira, que foi revertido após suplementação adequada. EF: IMC 35,6\nkg/m², edema generalizado 3+/4, FC: 82 bpm, FR: 15 irpm, PA: 100 x 60 mmHg. Exames\nlaboratoriais: Hb: 7,2 g/dL; anemia normocítica e normocrômica, albumina: 1,3 g/L.\n\nO episódio de cegueira foi decorrente da deficiência de:

Alternativas

  1. A) Ácido fólico.
  2. B) Vitamina B12
  3. C) Vitamina A
  4. D) Vitamina B1. Atenção: Leia o enunciado a seguir para responder às questões de números 75 e 76. Mulher de 28 anos apresenta um nódulo hepático hiperecogênico, de aspecto homogêneo, de 3 cm de diâmetro, evidenciado em US de abdome durante exames de rotina. AP: usuária de anticoncepcional. EF: IMC 28 Kg/m².

Pérola Clínica

Cegueira noturna ou xeroftalmia após cirurgia bariátrica disabsortiva → Deficiência de Vitamina A.

Resumo-Chave

Pacientes pós-bariátrica (especialmente técnicas disabsortivas) correm alto risco de deficiência de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) devido à má absorção de gorduras e falta de suplementação.

Contexto Educacional

A cirurgia bariátrica é um tratamento eficaz para a obesidade mórbida, mas impõe desafios nutricionais significativos a longo prazo. A Vitamina A (retinol) desempenha papel crucial na visão, integridade epitelial e função imunológica. Sua deficiência é uma complicação conhecida, manifestando-se inicialmente como dificuldade de adaptação visual ao escuro. O caso clínico ilustra uma paciente com desnutrição proteico-calórica grave (albumina 1,3 g/dL e edema) e histórico de cegueira reversível, apontando para uma síndrome de má absorção generalizada. O diagnóstico de hipovitaminose A deve ser clínico e confirmado por níveis séricos de retinol baixos. A prevenção baseia-se na suplementação diária e no acompanhamento multidisciplinar rigoroso para evitar sequelas sensoriais e sistêmicas permanentes.

Perguntas Frequentes

Como a cirurgia bariátrica causa deficiência de Vitamina A?

A deficiência de Vitamina A após cirurgia bariátrica ocorre principalmente em procedimentos com componente disabsortivo, como o Bypass Gástrico em Y de Roux ou o Desvio Biliopancreático. A redução da superfície de absorção no intestino delgado e a alteração na mistura do quimo com as enzimas pancreáticas e sais biliares prejudicam a solubilização e absorção de gorduras e, consequentemente, das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K). Além disso, a ingestão alimentar reduzida e a falta de adesão à suplementação vitamínica crônica, obrigatória após esses procedimentos, exacerbam o risco de depleção dos estoques hepáticos de retinol.

Quais são as manifestações oculares da hipovitaminose A?

A manifestação mais precoce da deficiência de Vitamina A é a cegueira noturna (nictalopia), resultante da incapacidade de regenerar a rodopsina na retina. Com a progressão, surge a xeroftalmia, caracterizada por secura conjuntival e corneal. Sinais patognomônicos incluem as Manchas de Bitot (áreas de queratinização esbranquiçadas na conjuntiva). Em estágios avançados, ocorre a ceratomalácia, que é o amolecimento e ulceração da córnea, podendo levar à perfuração ocular e cegueira irreversível. O tratamento precoce com suplementação de altas doses de Vitamina A costuma reverter os sintomas iniciais rapidamente.

Quais outras deficiências vitamínicas são comuns pós-bariátrica?

Além da Vitamina A, pacientes pós-bariátrica frequentemente apresentam deficiência de Vitamina B12 (devido à redução do ácido gástrico e fator intrínseco), Ferro (pelo desvio do duodeno), Cálcio e Vitamina D (levando a doenças ósseas metabólicas), e Tiamina (B1), que pode causar a Síndrome de Wernicke-Korsakoff em casos de vômitos persistentes. Deficiências de Zinco, Cobre e Proteínas (como evidenciado pela hipoalbuminemia e edema no caso clínico) também são prevalentes em técnicas mais agressivas, exigindo monitoramento laboratorial vitalício e suplementação personalizada.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo