Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022
Mulher, 36 anos, apresenta evacuações aquosas com grande quantidade de gotas de gordura, urina avermelhada e aparecimento de manchas roxas nas pernas e braços há 15 dias. Nega antecedentes mórbidos. Refere que seu ritmo intestinal sempre foi de três evacuações diárias de grande volume, há vários anos. Exame físico: equimoses disseminadas em pernas e braços. Exames laboratoriais: Hb = 11,2 g/dL, Plaquetas = 135000/mm3 , TGP = 47 UI/L, TGO = 72 UI/L, TP/inr = 8,9, TTPa = 81,5 segundos, TP = 118,7 segundos. O tratamento deve ser feito com
Esteatorreia crônica + coagulopatia (TP/INR e TTPa prolongados) → deficiência de vitamina K por má absorção.
A paciente apresenta sinais de má absorção crônica (esteatorreia, ritmo intestinal alterado há anos) e uma coagulopatia grave (TP/INR e TTPa muito prolongados) com sangramento (equimoses, urina avermelhada). A deficiência de vitamina K, uma vitamina lipossolúvel, é a causa mais provável da coagulopatia nesse contexto de má absorção.
O caso clínico descreve uma paciente com um quadro de má absorção crônica, evidenciado pelas evacuações aquosas com grande quantidade de gordura (esteatorreia) e um ritmo intestinal alterado há anos. A presença de equimoses disseminadas e urina avermelhada sugere um distúrbio hemorrágico. Os exames laboratoriais confirmam uma coagulopatia grave, com TP/INR e TTPa significativamente prolongados, enquanto a contagem de plaquetas está dentro dos limites normais. A vitamina K é uma vitamina lipossolúvel essencial para a síntese hepática dos fatores de coagulação II, VII, IX e X, além das proteínas C e S. Em condições de má absorção de gorduras (esteatorreia), a absorção de vitaminas lipossolúveis, incluindo a vitamina K, é prejudicada. Isso leva a uma deficiência de vitamina K, resultando em uma coagulopatia que se manifesta com prolongamento do TP/INR (mais sensível à deficiência de fator VII) e, em casos mais graves, também do TTPa. O tratamento de escolha para a coagulopatia por deficiência de vitamina K é a reposição desta vitamina. A administração de vitamina K (geralmente por via parenteral em casos de má absorção grave ou sangramento ativo) corrige rapidamente os níveis dos fatores de coagulação e reverte o distúrbio hemorrágico. Outras opções como aférese de plaquetas ou plasmaférese não seriam apropriadas, pois a causa não é trombocitopenia ou deficiência de múltiplos fatores plasmáticos não relacionados à vitamina K.
Os fatores de coagulação dependentes de vitamina K são os fatores II (protrombina), VII, IX e X, além das proteínas C e S. A deficiência de vitamina K afeta a síntese hepática desses fatores.
A vitamina K é uma vitamina lipossolúvel, e sua absorção requer a presença de sais biliares e gordura. Condições que causam esteatorreia, como doenças biliares, pancreáticas ou intestinais, podem prejudicar sua absorção.
Os sinais incluem sangramentos anormais (equimoses, petéquias, epistaxe, sangramento gastrointestinal), prolongamento do TP/INR e, em casos graves, do TTPa, refletindo a disfunção da coagulação.
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