Deficiência de Vitamina B1 (Beribéri): Diagnóstico e Sintomas

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Criança de 3 anos, procedente da zona rural do Maranhão, vem para tratamento no serviço de saúde de Jundiaí por apresentar edema de MMI que tem piorado nos últimos três meses. Pais referem ao médico que residiam em local de extrema condição de pobreza e fome e que têm tido uma alimentação monótona baseada em arroz polido e alimentos de elevado teor de carboidratos como farinha branca e açúcar branco. No início do quadro, apresentava insônia, nervosismo e irritação, que a mãe atribuía à fome, mas, depois, apresentou fadiga, perda de apetite chegando ao inchaço das pernas e ao cansaço. Com base nos dados da história clínica, qual poderia ser a hipovitaminose atribuída ao caso?

Alternativas

  1. A) Deficiência Vit A.
  2. B) Deficiência Vit B1.
  3. C) Deficiência Vit D.
  4. D) Deficiência Vit B12.
  5. E) Deficiência Vit C.

Pérola Clínica

Edema, fadiga, irritabilidade, dieta rica em carboidratos refinados → suspeitar de Beribéri (deficiência de Vitamina B1).

Resumo-Chave

A deficiência de vitamina B1 (tiamina), conhecida como beribéri, é comum em populações com dieta restrita a carboidratos refinados. Manifesta-se com sintomas neurológicos (beribéri seco) e/ou cardiovasculares (beribéri úmido), como edema e insuficiência cardíaca, sendo crucial o diagnóstico precoce para evitar complicações graves.

Contexto Educacional

A deficiência de vitamina B1, ou tiamina, é conhecida como beribéri. É uma condição nutricional grave, historicamente associada a populações cuja dieta é baseada predominantemente em arroz polido, que tem a casca rica em tiamina removida. Atualmente, ainda é observada em contextos de desnutrição, alcoolismo crônico e outras condições que afetam a absorção ou o metabolismo da tiamina. A tiamina é essencial para o metabolismo de carboidratos e para a função nervosa. A fisiopatologia envolve a redução da atividade de enzimas dependentes de tiamina, como a piruvato desidrogenase e a transcetolase, levando ao acúmulo de metabólitos tóxicos e à disfunção energética celular, especialmente em tecidos com alta demanda metabólica como o sistema nervoso e o coração. O beribéri pode se apresentar em duas formas principais: o beribéri seco, predominantemente neurológico (polineuropatia, fraqueza, ataxia), e o beribéri úmido, com manifestações cardiovasculares (edema, cardiomegalia, insuficiência cardíaca de alto débito). O diagnóstico é clínico, baseado na história alimentar e nos sintomas, e pode ser confirmado pela resposta à suplementação de tiamina ou pela dosagem de tiamina no sangue. O tratamento consiste na reposição de tiamina, que geralmente leva a uma melhora rápida dos sintomas. A prevenção é feita através de uma dieta balanceada e, em populações de risco, pela fortificação de alimentos ou suplementação. É crucial reconhecer a condição precocemente para evitar danos neurológicos e cardíacos irreversíveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da deficiência de vitamina B1 (tiamina)?

A deficiência de tiamina pode se manifestar como beribéri seco, com sintomas neurológicos como polineuropatia, fraqueza e parestesias, ou beribéri úmido, com sintomas cardiovasculares como edema, taquicardia e insuficiência cardíaca de alto débito. Sintomas inespecíficos como fadiga e irritabilidade também são comuns.

Qual a relação entre a dieta e a deficiência de tiamina?

A tiamina é encontrada em grãos integrais, carnes e leguminosas. Dietas baseadas em arroz polido (branco) e alimentos refinados, que removem a camada externa do grão rica em tiamina, são a principal causa de deficiência em populações carentes. O álcool também interfere na absorção e metabolismo da tiamina.

Como o beribéri úmido causa edema e cansaço?

No beribéri úmido, a deficiência de tiamina leva à disfunção miocárdica e vasodilatação periférica, resultando em insuficiência cardíaca de alto débito. Isso causa retenção de líquidos e edema periférico, além de fadiga e cansaço devido à perfusão tecidual inadequada.

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