Deficiência de Vitamina D na Doença Celíaca: Reposição

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2015

Enunciado

Em mulher de 45 anos de idade, residente em Recife, portadora de doença celíaca, foram detectados, em duas ocasiões, valores diminuídos de 25 (OH) vitamina D (15 e 17 ng/ml). A paciente raramente vai à praia. Quando questionada, referiu dores articulares ocasionais. Ainda menstrua normalmente. A função tiroideana, o cálcio, o fósforo, o PTH e a fosfatase alcalina estão normais. Como deve ser feita a reposição de vitamina D neste caso?

Alternativas

  1. A) Calcitriol (2,5 mcg/dia).
  2. B) Vitamina D 50.000 UI/semana. 
  3. C) Vitamina D 2.000 UI/dia.
  4. D) Vitamina D 100.000 UI/mês.
  5. E) Existe mais de uma opção correta.

Pérola Clínica

Deficiência Vit D (<20 ng/mL) em Doença Celíaca → Reposição com doses semanais altas (50.000 UI/semana).

Resumo-Chave

Em pacientes com deficiência grave de vitamina D (níveis < 20 ng/mL), especialmente com má absorção como na doença celíaca, a reposição inicial deve ser feita com doses mais altas e frequentes, como 50.000 UI semanalmente, para restaurar os estoques rapidamente.

Contexto Educacional

A vitamina D desempenha um papel crucial na saúde óssea e em diversas outras funções fisiológicas. A deficiência de vitamina D é uma condição comum, mas que se torna particularmente relevante em pacientes com síndromes de má absorção, como a doença celíaca. Nesses indivíduos, a lesão da mucosa intestinal compromete a absorção de vitaminas lipossolúveis, incluindo a vitamina D, mesmo com exposição solar adequada ou ingestão dietética. A dosagem de 25(OH) vitamina D é o melhor indicador do status de vitamina D no organismo. No caso apresentado, a paciente com doença celíaca e níveis de 25(OH) vitamina D abaixo de 20 ng/mL (15 e 17 ng/ml) configura deficiência grave. Embora os níveis de cálcio, fósforo e PTH estejam normais, a deficiência prolongada pode levar a osteomalácia e dores musculoesqueléticas. A reposição deve ser agressiva para restaurar rapidamente os estoques. As diretrizes geralmente recomendam doses de ataque de 50.000 UI de vitamina D por semana (ou 6.000 UI/dia) por 8 a 12 semanas para corrigir a deficiência grave, especialmente em pacientes com má absorção. Após a correção, a dose de manutenção pode ser ajustada. É fundamental que residentes e estudantes compreendam a importância de investigar e tratar a deficiência de vitamina D em populações de risco, como pacientes com doença celíaca, para prevenir complicações ósseas e sistêmicas.

Perguntas Frequentes

Qual o nível de 25(OH) vitamina D que define deficiência?

A deficiência de vitamina D é geralmente definida por níveis séricos de 25(OH) vitamina D abaixo de 20 ng/mL (ou 50 nmol/L). Níveis entre 20-29 ng/mL são considerados insuficiência.

Por que pacientes com doença celíaca têm maior risco de deficiência de vitamina D?

A doença celíaca causa atrofia das vilosidades intestinais, principalmente no duodeno e jejuno proximal, onde ocorre a maior parte da absorção de vitamina D e outras vitaminas lipossolúveis, levando à má absorção e deficiência.

Qual a dose inicial recomendada para reposição de vitamina D em deficiência grave com má absorção?

Em casos de deficiência grave (abaixo de 20 ng/mL), especialmente com má absorção, a reposição inicial pode ser feita com 50.000 UI de vitamina D por semana por 8-12 semanas, ou doses equivalentes, para rapidamente elevar os níveis séricos.

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