IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2022
Um paciente de 42 anos, com antecedentes de cirurgia de duodenal switch há 8 anos, é levado ao pronto-socorro devido a quadro de cólica abdominal de fraca intensidade, mal-estar, confusão mental, desequilíbrio e fraqueza. Os familiares dizem que ele não faz seguimento há mais de 3 anos e que frequentemente tem vômitos, por comer muito rápido. Está em regular estado geral e descorado. Pulso: 80 bpm, PA: 120 x 80 mmHg, frequência respiratória: 14 irpm. O abdome é flácido e indolor. Tratamento para o provável diagnóstico que explica os sintomas apresentados:
Duodenal switch + vômitos crônicos + sintomas neurológicos (confusão, desequilíbrio) → Deficiência de Tiamina (Wernicke).
Pacientes submetidos a cirurgias bariátricas disabsortivas como o duodenal switch têm alto risco de deficiências nutricionais, especialmente de vitaminas do complexo B, devido à má absorção e vômitos. A deficiência de tiamina (vitamina B1) pode levar à encefalopatia de Wernicke, uma emergência neurológica que se manifesta com confusão, ataxia e oftalmoplegia, exigindo reposição urgente.
Pacientes submetidos a cirurgias bariátricas disabsortivas, como o duodenal switch, apresentam um risco elevado de desenvolver deficiências nutricionais significativas a longo prazo. A alteração anatômica do trato gastrointestinal, que desvia o alimento de grande parte do intestino delgado, aliada a hábitos alimentares inadequados e vômitos frequentes, predispõe a uma absorção insuficiente de micronutrientes essenciais. A deficiência de tiamina (vitamina B1) é uma complicação grave e potencialmente fatal. A tiamina é crucial para o metabolismo de carboidratos e a função neuronal. Sua deficiência pode levar à encefalopatia de Wernicke, caracterizada pela tríade de confusão mental, ataxia e oftalmoplegia. Se não tratada prontamente, pode evoluir para a síndrome de Korsakoff (amnésia anterógrada e retrograda) ou até mesmo coma e morte. O tratamento da deficiência de tiamina, especialmente na suspeita de encefalopatia de Wernicke, é uma emergência médica. A reposição deve ser feita com tiamina intravenosa ou intramuscular em altas doses, antes mesmo da confirmação laboratorial, para prevenir danos neurológicos irreversíveis. A hidratação e o suporte nutricional também são importantes, mas a tiamina é a prioridade. O seguimento regular e a suplementação vitamínica são fundamentais para pacientes pós-bariátricos.
Após o duodenal switch, são comuns deficiências de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), vitaminas do complexo B (especialmente B1, B9, B12), ferro, cálcio e proteínas, devido à extensa má absorção.
A tríade clássica da encefalopatia de Wernicke inclui confusão mental (estado confusional agudo), ataxia (desequilíbrio e dificuldade de marcha) e oftalmoplegia (paralisia dos músculos oculares, nistagmo).
A tiamina intramuscular é preferida em casos graves ou com vômitos, pois garante a absorção rápida e eficaz da vitamina, contornando a via oral que pode estar comprometida pela má absorção ou intolerância gástrica.
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