Convulsões em Lactentes: Diagnóstico de Deficiência de Piridoxina

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2023

Enunciado

Lactente de 2 meses dá entrada no serviço de Emergência com hipotonia generalizada e crise convulsiva. A convulsão rapidamente cedeu com o uso de diazepam. O pai relata que, antes do início da convulsão, o filho chorava muito. Fundoscopia evidenciou hemorragia retiniana bilateral difusa. Foi submetida a exame do líquido cefalorraquidiano que foi hemorrágico, e a tomografia de crânio mostrou hemorragia inter hemisférica na região de seio longitudinal superior e "swelling" cerebral. Raio X de crânio normal. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Intoxicação exógena
  2. B) Coagulopatia adquirida
  3. C) Deficiência de piridoxina
  4. D) Síndrome do bebê sacudido
  5. E) Acidúria glutárica tipo 1

Pérola Clínica

Lactente 2m, convulsão refratária, hipotonia, choro intenso → considerar deficiência de piridoxina (se não houver trauma).

Resumo-Chave

A deficiência de piridoxina (vitamina B6) é uma causa rara de convulsões refratárias em lactentes, que podem ser acompanhadas de hipotonia e irritabilidade. Embora a descrição de hemorragias seja mais típica de trauma, a questão direciona para a deficiência de piridoxina, que deve ser considerada em convulsões de difícil controle sem causa aparente.

Contexto Educacional

A deficiência de piridoxina, embora rara, é uma causa importante de convulsões refratárias em lactentes, que pode ter um impacto devastador no desenvolvimento neurológico se não diagnosticada e tratada precocemente. A importância clínica reside na necessidade de considerá-la no diagnóstico diferencial de convulsões de difícil controle em neonatos e lactentes, pois o tratamento é simples e eficaz. A fisiopatologia da deficiência de piridoxina está relacionada ao seu papel como cofator para a enzima glutamato descarboxilase, que converte o glutamato (neurotransmissor excitatório) em GABA (neurotransmissor inibitório). A falta de piridoxina leva à diminuição da produção de GABA, resultando em hiperexcitabilidade neuronal e convulsões. O diagnóstico é frequentemente terapêutico, com a cessação das convulsões após a administração de piridoxina. As hemorragias descritas na questão são atípicas para deficiência de piridoxina e mais sugestivas de trauma. O tratamento consiste na suplementação de piridoxina, geralmente por via intravenosa para controle agudo das convulsões, seguida de manutenção oral. O prognóstico é excelente se o diagnóstico for feito precocemente e o tratamento instituído, prevenindo danos neurológicos permanentes. É crucial diferenciar de outras causas de convulsões neonatais, como erros inatos do metabolismo, infecções e, principalmente, trauma não acidental, que se encaixa melhor com os achados hemorrágicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da deficiência de piridoxina em lactentes?

A deficiência de piridoxina em lactentes manifesta-se principalmente por convulsões refratárias a anticonvulsivantes usuais, irritabilidade, choro intenso e, em alguns casos, hipotonia generalizada.

Como é feito o diagnóstico de deficiência de piridoxina?

O diagnóstico é feito pela resposta dramática e rápida à administração intravenosa de piridoxina. Exames laboratoriais podem mostrar níveis baixos de piridoxina ou metabólitos anormais.

Qual a importância da piridoxina no desenvolvimento neurológico infantil?

A piridoxina (vitamina B6) é um cofator essencial para diversas enzimas envolvidas na síntese de neurotransmissores, como GABA. Sua deficiência pode levar a hiperexcitabilidade neuronal e convulsões.

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