Infecções Recorrentes na Infância: Manejo e Profilaxia

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Menina, 2 anos de idade, é levada ao ambulatório pediátrico, encaminhada pela UBS, por apresentar infecções respiratórias recorrentes, incluindo otites frequentes. A mãe relata que desde o nascimento a menor apresenta espirros e coriza constantes. Além disso, já ocorreram vários quadros de pneumonia e um de diarreia, sem necessidade de internação. Nega alterações dermatológicas. Foi amamentada até os 18 meses e, atualmente, tem dieta semelhante à da família, com proteínas animais, frutas e legumes, diariamente. Reside em rua calçada, com saneamento; nega mofo e umidade em casa. Faz acompanhamento na UBS, mas continua apresentando infecções muito frequentes, que não respondem bem aos tratamentos convencionais. É filha única, não frequenta creche e não há história familiar. Ao exame físico, é uma criança em bom estado geral e nutricional, sem outras alterações no momento, exceto condutos auditivos hiperemiados. Indique o tratamento mais adequado para essa criança, no caso de confirmação da principal suspeita diagnóstica:

Alternativas

  1. A) Uso contínuo de anti-histamínicos para controle alérgico.
  2. B) Administração regular de imunoglobulina intravenosa.
  3. C) Uso profilático de antibióticos para prevenir infecções.
  4. D) Uso de dosagem terapêutica de vitamina C.

Pérola Clínica

Infecções recorrentes + IgA < 7mg/dL → Antibioticoprofilaxia se falha no manejo comum.

Resumo-Chave

Em crianças com imunodeficiências primárias que mantêm quadros infecciosos frequentes apesar do tratamento otimizado, a profilaxia com antibióticos é a estratégia para reduzir morbidade.

Contexto Educacional

A deficiência seletiva de IgA é a imunodeficiência primária mais comum na prática clínica. Embora muitos pacientes sejam assintomáticos, uma parcela significativa apresenta infecções respiratórias recorrentes e quadros gastrointestinais, como a giardíase crônica.\n\nO manejo foca na vigilância rigorosa e no tratamento precoce e agressivo de infecções. Quando as medidas ambientais e o tratamento das crises não são suficientes para garantir a qualidade de vida e a integridade pulmonar, a antibioticoprofilaxia torna-se a conduta de escolha para esses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de imunodeficiência primária?

Deve-se suspeitar quando a criança apresenta os '10 sinais de alerta', que incluem: duas ou mais pneumonias no último ano, oito ou mais otites, estomatites persistentes, infecções graves (sepse, meningite) ou história familiar de imunodeficiência. O caso da paciente com otites, pneumonias e diarreia é altamente sugestivo.

Qual o papel da antibioticoprofilaxia?

Em pacientes com deficiências de anticorpos (como IgA seletiva) que sofrem com infecções sinopulmonares frequentes, o uso de antibióticos em doses profiláticas (ex: Amoxicilina ou Azitromicina) visa reduzir a frequência das exacerbações e prevenir sequelas estruturais permanentes, como as bronquiectasias.

Por que não usar Imunoglobulina IV na Deficiência de IgA?

A maioria dos preparados de IVIG contém traços de IgA. Pacientes com deficiência total de IgA podem desenvolver anticorpos anti-IgA e sofrer reações anafiláticas graves se receberem o hemoderivado. Além disso, a IVIG não repõe IgA nas mucosas, onde ela exerce sua principal função protetora.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo