FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021
Menina de oito anos é acompanhada desde o nascimento no ambulatório de puericultura, onde sempre apresentou estatura no percentil 10-25. Chama a atenção que, no último ano, manteve-se abaixo do percentil 3,0 (<−3 DP abaixo da média) na sua curva de crescimento, e a velocidade de crescimento observada neste período foi de 3 cm. Encontra-se <–1,5 DP da altura, abaixo da altura parental média. Nega intercorrências no último ano. O inquérito alimentar está dentro das normas nutricionais com alimentação disponível e de qualidade. Apresenta um bom aproveitamento escolar, é alegre e muito ativa. Você está preocupado com a estatura da paciente e inicia uma investigação que inclui a idade óssea. O resultado deste exame é que a idade óssea está três anos menor que a idade cronológica e aproximando da idade-altura. Qual a hipótese diagnóstica inicial para o caso?
Baixa estatura + ↓ velocidade crescimento + idade óssea atrasada = Suspeitar Deficiência de Hormônio de Crescimento.
A deficiência de hormônio de crescimento deve ser suspeitada em crianças com baixa estatura, especialmente quando há uma desaceleração na velocidade de crescimento, altura abaixo da altura parental média e um atraso significativo na idade óssea, que se aproxima da idade-altura.
A baixa estatura é uma queixa comum na pediatria e pode ter diversas etiologias, desde variantes da normalidade até condições patológicas graves. A deficiência de hormônio de crescimento (GH) é uma das causas mais importantes de baixa estatura tratável, caracterizada por uma produção insuficiente de GH pela hipófise. A epidemiologia da deficiência de GH varia, mas estima-se uma prevalência de 1 em 4.000 a 1 em 10.000 crianças. A importância clínica reside na necessidade de diagnóstico e tratamento precoces para otimizar o potencial de crescimento e evitar sequelas a longo prazo. A fisiopatologia envolve a falha na secreção de GH, que é essencial para o crescimento linear e o desenvolvimento ósseo. O diagnóstico é complexo e baseia-se na avaliação clínica, auxológica (curvas de crescimento, velocidade de crescimento, altura parental média) e laboratorial. A idade óssea, determinada por radiografia de mão e punho, é um pilar diagnóstico, pois um atraso significativo (geralmente > 2 anos) em relação à idade cronológica, especialmente quando se alinha à idade-altura, é altamente sugestivo de deficiência de GH. Testes de estímulo de GH são frequentemente necessários para confirmar o diagnóstico. O tratamento da deficiência de GH consiste na reposição de hormônio de crescimento recombinante humano, administrado por via subcutânea. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, resultando em um aumento significativo da estatura final. É fundamental que o residente saiba diferenciar a deficiência de GH de outras causas de baixa estatura, como a baixa estatura familiar ou o atraso constitucional do crescimento e puberdade, para evitar tratamentos desnecessários ou o atraso no manejo de condições tratáveis.
Os principais critérios incluem baixa estatura (geralmente abaixo do percentil 3), velocidade de crescimento abaixo do esperado para a idade, atraso significativo na idade óssea em relação à idade cronológica e, frequentemente, altura abaixo da altura parental média.
A idade óssea atrasada é um marcador importante. Na deficiência de GH, a idade óssea é significativamente menor que a idade cronológica e tende a se aproximar da idade-altura, indicando um potencial de crescimento residual maior do que o esperado para a idade cronológica.
Na baixa estatura familiar, a velocidade de crescimento é normal e a idade óssea é compatível com a idade cronológica. Na deficiência de GH, há uma desaceleração da velocidade de crescimento e um atraso acentuado na idade óssea, que é desproporcional à idade cronológica.
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