Deficiência de G6PD: Prevenção da Hemólise e Manejo Clínico

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2020

Enunciado

Em crianças com diagnóstico confirmado de deficiência de glicose-6-fosfato-desidrogenase, a medida terapêutica mais importante é:

Alternativas

  1. A) esplenectomia eletiva
  2. B) hemotransfusão preventiva
  3. C) prevenção da hemólise
  4. D) exsanguíneo transfusão parcial
  5. E) transfusão mensal de concentrado de hemácias

Pérola Clínica

Deficiência de G6PD → principal medida é prevenção da hemólise, evitando desencadeantes oxidativos.

Resumo-Chave

A deficiência de G6PD é uma condição genética que predispõe a hemólise em resposta a estresse oxidativo. A medida terapêutica mais crucial é a prevenção da hemólise, o que envolve evitar medicamentos, alimentos e infecções que possam desencadear uma crise hemolítica aguda.

Contexto Educacional

A deficiência de glicose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD) é a enzimopatia eritrocitária mais comum no mundo, com uma prevalência significativa em populações de origem africana, mediterrânea e asiática. É uma condição genética ligada ao cromossomo X, que afeta a capacidade dos glóbulos vermelhos de se protegerem contra o estresse oxidativo. A G6PD é uma enzima chave na via das pentoses-fosfato, responsável pela produção de NADPH, um cofator essencial para a glutationa redutase. A glutationa reduzida, por sua vez, é fundamental para neutralizar os radicais livres e proteger as células do dano oxidativo. Na ausência ou deficiência da G6PD, os eritrócitos tornam-se vulneráveis ao estresse oxidativo, levando à hemólise intravascular e extravascular. A medida terapêutica mais importante e eficaz para crianças com deficiência de G6PD é a prevenção da hemólise. Isso implica em evitar rigorosamente os agentes desencadeantes, que incluem uma lista de medicamentos (como sulfas, antimaláricos, nitrofurantoína, dapsona), certos alimentos (notadamente a fava, causando o favismo) e infecções. O diagnóstico precoce, muitas vezes por triagem neonatal, e a educação dos pais e pacientes sobre os desencadeantes são cruciais para o manejo e para prevenir crises hemolíticas agudas, que podem ser graves e exigir transfusões sanguíneas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais desencadeantes de uma crise hemolítica em pacientes com deficiência de G6PD?

Os principais desencadeantes incluem certos medicamentos (ex: sulfas, antimaláricos, aspirina em altas doses), alimentos (ex: fava), e infecções (especialmente bacterianas e virais), que aumentam o estresse oxidativo nos eritrócitos.

Como a deficiência de G6PD causa hemólise?

A G6PD é uma enzima crucial na via das pentoses-fosfato, protegendo os eritrócitos do estresse oxidativo. Sua deficiência impede a produção adequada de NADPH, levando ao acúmulo de radicais livres e danos oxidativos à membrana celular, resultando em hemólise.

Qual o papel da dieta no manejo da deficiência de G6PD?

A dieta é importante na deficiência de G6PD, principalmente pela restrição de favas (favismo), que são um potente desencadeante de hemólise em indivíduos suscetíveis. Outros alimentos podem ser problemáticos em casos específicos, mas a fava é o mais conhecido.

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