Deficiência de G6PD: Diagnóstico e Manejo da Crise Hemolítica

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2020

Enunciado

Fernanda, 4 anos, é levada à Unidade de Pronto Atendimento por sua mãe, que relata que sua filha está amarelada e cansa-se com facilidade. Há três dias iniciou tratamento para infecção urinária com ácido nalidíxico. Ao exame físico, Fernanda encontra-se descorada ++/4+, ictérica +/4, principalmente em face e tronco. Ausculta cardíaca e pulmonar normais. FC: 120 bpm, FR: 44 irpm, SatO₂: 96%, Abdome: flácido, ruídos hidroaéreos presentes, fígado no rebordo costal direito e baço palpável a 1 cm do rebordo costal esquerdo. Exames laboratoriais: Hb: 6,5 g/dL, Ht: 19,5%, reticulócitos: 9%. Dentre as abaixo, a principal hipótese diagnóstica para esse caso é

Alternativas

  1. A) anemia ferropriva.
  2. B) anemia falciforme.
  3. C) esferocitose.
  4. D) deficiência de G6PD.
  5. E) deficiência de piruvato quinase.

Pérola Clínica

Deficiência de G6PD → anemia hemolítica aguda por oxidantes (ex: ácido nalidíxico) → icterícia, descoloração, reticulocitose.

Resumo-Chave

A deficiência de G6PD é uma enzimopatia que causa anemia hemolítica aguda quando o paciente é exposto a estresse oxidativo, como o uso de certos medicamentos (ex: ácido nalidíxico, sulfas, primaquina) ou ingestão de fava. A apresentação clássica inclui icterícia, palidez e reticulocitose em um paciente com história de exposição.

Contexto Educacional

A deficiência de Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD) é a enzimopatia eritrocitária mais comum, com herança ligada ao X, afetando predominantemente homens. Sua importância clínica reside na suscetibilidade a crises de anemia hemolítica aguda desencadeadas por estresse oxidativo, como infecções, ingestão de favas (favismo) ou uso de certos medicamentos. A prevalência é maior em populações de origem africana, mediterrânea e asiática, onde a mutação confere alguma proteção contra a malária. A fisiopatologia envolve a incapacidade dos eritrócitos deficientes em G6PD de produzir NADPH, essencial para a redução do glutationa oxidada e proteção contra radicais livres. A exposição a agentes oxidantes leva à formação de corpos de Heinz e à hemólise intravascular e extravascular. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com anemia aguda, icterícia, reticulocitose e história de exposição a precipitantes. A confirmação é feita pela dosagem da atividade enzimática da G6PD. O tratamento da crise hemolítica é de suporte, com transfusões sanguíneas se a anemia for grave. O mais importante é a prevenção, orientando o paciente e a família sobre os agentes precipitantes a serem evitados. A educação sobre os medicamentos contraindicados é fundamental para prevenir futuras crises. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado e a evitação dos gatilhos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da crise hemolítica na deficiência de G6PD?

Os sinais incluem icterícia, palidez, fadiga, urina escura (hemoglobinúria) e, em casos graves, esplenomegalia. Laboratorialmente, observa-se anemia, reticulocitose e aumento de bilirrubinas indiretas.

Quais medicamentos devem ser evitados em pacientes com deficiência de G6PD?

Diversos medicamentos podem precipitar uma crise hemolítica, incluindo sulfas, primaquina, dapsona, nitrofurantoína, rasburicase e, como no caso, ácido nalidíxico. É crucial consultar uma lista atualizada de fármacos.

Como é feito o diagnóstico de deficiência de G6PD?

O diagnóstico é confirmado pela dosagem da atividade da enzima G6PD nos eritrócitos. É importante realizar o teste fora de uma crise hemolítica, pois durante a crise, os eritrócitos mais velhos e deficientes são destruídos, podendo levar a um resultado falso-normal.

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