Deficiência de G6PD: Diagnóstico e Gatilhos de Hemólise

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 21 anos de idade, sexo masculino, apresenta quadro de celulite na coxa direita, iniciando o tratamento oral com trimetoprim-sulfametoxazol. Algumas horas depois, evolui com mal-estar, tontura, falta de ar, calafrios e lombalgia. Não há histórico de uso prévio de antibióticos. Exame físico: hipocorado (2+/4+), ictérico (1+/4+), eupneico e afebril. Exames séricos: hemoglobina: 9,1 g/dL, plaquetas: 330000/mm³, reticulócitos corrigidos: 15,8%; esfregaço de sangue periférico: presença de corpúsculos de Heinz.O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase.
  2. B) desordem da membrana do eritrócito.
  3. C) hemólise autoimune.
  4. D) sepse por bactérias anaeróbias.

Pérola Clínica

Deficiência G6PD: hemólise aguda pós-droga oxidante (ex: SMX-TMP) + corpúsculos de Heinz + reticulocitose.

Resumo-Chave

A deficiência de G6PD é uma enzimopatia eritrocitária ligada ao X que predispõe à hemólise em resposta a estresse oxidativo, frequentemente desencadeado por certos medicamentos (como sulfametoxazol-trimetoprim) ou alimentos. A presença de corpúsculos de Heinz no esfregaço de sangue periférico é um achado característico de dano oxidativo aos eritrócitos.

Contexto Educacional

A deficiência de Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD) é a enzimopatia eritrocitária mais comum no mundo, afetando milhões de pessoas. É uma doença hereditária ligada ao cromossomo X, o que explica a maior prevalência e gravidade em homens. A G6PD é essencial para a via das pentoses-fosfato, que produz NADPH, um cofator crucial para a glutationa redutase, protegendo os eritrócitos contra o estresse oxidativo. Quando um indivíduo com deficiência de G6PD é exposto a agentes oxidantes (medicamentos como sulfonamidas, antimaláricos, nitrofurantoína; infecções; ou favas), os eritrócitos não conseguem neutralizar os radicais livres, levando à oxidação da hemoglobina e da membrana celular. Isso resulta na formação de corpúsculos de Heinz (hemoglobina desnaturada precipitada) e hemólise intravascular e extravascular, manifestando-se como anemia aguda, icterícia, colúria e lombalgia. O tratamento de uma crise hemolítica aguda por deficiência de G6PD é de suporte, incluindo a suspensão do agente desencadeante e, se necessário, transfusões de sangue. A prevenção é fundamental, orientando os pacientes a evitar os gatilhos conhecidos. O diagnóstico é confirmado pela dosagem da atividade enzimática da G6PD, idealmente fora do período de crise hemolítica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais gatilhos para uma crise hemolítica em pacientes com deficiência de G6PD?

Os principais gatilhos incluem certos medicamentos (sulfonamidas, antimaláricos, nitrofurantoína), infecções e ingestão de favas (favismo).

O que são os corpúsculos de Heinz e qual sua importância na deficiência de G6PD?

Corpúsculos de Heinz são precipitados de hemoglobina desnaturada que se formam dentro dos eritrócitos devido ao estresse oxidativo. Sua presença é um forte indicativo de dano oxidativo, comum na deficiência de G6PD.

Como é feito o diagnóstico definitivo da deficiência de G6PD?

O diagnóstico definitivo é feito pela dosagem da atividade da enzima G6PD nos eritrócitos. É importante realizar o teste fora de uma crise hemolítica, pois eritrócitos mais jovens (reticulócitos) têm maior atividade enzimática, podendo mascarar a deficiência.

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