Deficiência de G6PD: Diagnóstico, Desencadeantes e Achados

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 3 anos de idade, dá entrada em pronto-socorro com história de palidez e icterícia. Mãe refere que criança apresentou quadro febril, tendo dado paracetamol para controle de temperatura. Refere que algum tempo após, começou a ficar mais pálido, com olhos amarelados e urina escurecida. Criança com história prévia de ter apresentando os mesmos sintomas de quando apresentou uma infecção de garganta, que necessitou de uso de sulfametoxazol + trimetropim para tratamento. Ao exame físico, apresenta-se ictérico, com fígado palpável a 3 cm rebordo costal direito e baço a 4 cm rebordo costal esquerdo. Exames complementares com presença de anemia bilirrubinas aumentadas à custa de bilirrubina indireta, reticulocitose, coombs direto negativo e presença de "bite cell". Quanto ao diagnóstico mais provável, para esse caso, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Anemia hemolítica por autoanticorpo.
  2. B) Anemia falciforme.
  3. C) Deficiência de G6PD.
  4. D) Esferocitose hereditária.
  5. E) Todas as alternativas estão corretas.

Pérola Clínica

Deficiência G6PD → Hemólise oxidativa por drogas (paracetamol, sulfa) ou infecções → "Bite cells" e Coombs negativo.

Resumo-Chave

A deficiência de G6PD é uma enzimopatia que causa anemia hemolítica não imune, desencadeada por estresse oxidativo (drogas como sulfonamidas, paracetamol em altas doses, ou infecções). A presença de "bite cells" e Coombs negativo são achados laboratoriais característicos, indicando dano oxidativo aos eritrócitos.

Contexto Educacional

A deficiência de G6PD (glicose-6-fosfato desidrogenase) é a enzimopatia eritrocitária mais comum, com herança ligada ao X, afetando predominantemente homens. É uma causa importante de anemia hemolítica não imune, especialmente em populações com histórico de malária, onde confere alguma proteção. A compreensão dessa condição é vital para evitar crises hemolíticas agudas, que podem ser fatais se não reconhecidas e manejadas adequadamente. É um tema recorrente em provas de residência médica. A fisiopatologia envolve a incapacidade dos eritrócitos de produzir NADPH suficiente para proteger contra o estresse oxidativo. Quando expostos a agentes oxidantes (drogas, infecções, favismo), a hemoglobina é oxidada e precipita, formando Corpos de Heinz, que danificam a membrana celular e levam à hemólise intravascular e extravascular. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica de hemólise após exposição e confirmado pela dosagem da atividade enzimática. O Coombs direto negativo é um achado chave que diferencia da hemólise autoimune. O tratamento é principalmente de suporte, com transfusões sanguíneas se a anemia for grave, e a remoção imediata do agente desencadeante. A prevenção é crucial, educando o paciente e a família sobre as substâncias a serem evitadas. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas crises graves podem levar a insuficiência renal aguda e outras complicações, exigindo atenção redobrada do residente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais desencadeantes de crise hemolítica na deficiência de G6PD?

Os principais desencadeantes são medicamentos com potencial oxidante (sulfonamidas, antimaláricos, alguns analgésicos como paracetamol em altas doses), favismo e infecções. O estresse oxidativo resultante leva à hemólise.

Como a deficiência de G6PD é diagnosticada laboratorialmente?

O diagnóstico é feito pela dosagem da atividade da enzima G6PD nos eritrócitos. Durante uma crise hemolítica, a atividade pode parecer normal devido à reticulocitose, sendo ideal repetir o exame após a recuperação do paciente.

Qual a importância das "bite cells" no diagnóstico da deficiência de G6PD?

"Bite cells" (células mordidas) são eritrócitos com porções da membrana removidas por macrófagos após a formação de Corpos de Heinz. Estes corpos são precipitados de hemoglobina desnaturada, indicando dano oxidativo característico da deficiência de G6PD.

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