Deficiência de G6PD: Diagnóstico e Fatores Desencadeantes

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Escolar de 9 anos, em tratamento com sulfametoxazol-trimetoprim para quadro de infecção urinária, apresenta início súbito de astenia, adinamia e acentuada palidez cutânea e mucosa. O hemograma revela: hemoglobina = 7,7g/dL, VCM = 87fL, policromatofilia e presença de hemácias “mordidas”. A hipótese diagnóstica mais provável é de:

Alternativas

  1. A) deficiência de G6PD
  2. B) síndrome hemolítico-urêmica
  3. C) anemia hemolítica autoimune
  4. D) septicemia por Gram-negativo

Pérola Clínica

Sulfametoxazol-trimetoprim + hemácias mordidas + anemia hemolítica aguda = Deficiência de G6PD.

Resumo-Chave

A deficiência de G6PD é uma causa comum de anemia hemolítica aguda em resposta a estresse oxidativo, frequentemente desencadeado por certos medicamentos (como sulfametoxazol-trimetoprim) ou infecções. A presença de "bite cells" (hemácias mordidas) no esfregaço sanguíneo é um achado característico.

Contexto Educacional

A deficiência de Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD) é a enzimopatia eritrocitária mais comum no mundo, com herança ligada ao cromossomo X, afetando predominantemente homens. É uma condição que predispõe os indivíduos a crises de anemia hemolítica aguda quando expostos a agentes oxidantes, como certos medicamentos, alimentos (fava) ou infecções. A compreensão dessa condição é vital para evitar desencadeantes e garantir um manejo adequado. A G6PD é uma enzima chave na via das pentoses fosfato, responsável pela produção de NADPH, que é essencial para a redução do glutationa e, consequentemente, para a proteção das hemácias contra o estresse oxidativo. Na sua deficiência, as hemácias não conseguem neutralizar adequadamente os radicais livres, levando à oxidação da hemoglobina e à formação de Corpos de Heinz. Esses corpos danificam a membrana eritrocitária, resultando na remoção das hemácias pelo baço, caracterizada pela formação de "bite cells" (hemácias mordidas) no esfregaço sanguíneo. O diagnóstico é suspeitado em pacientes que desenvolvem anemia hemolítica aguda após exposição a um agente oxidante, com achados como policromatofilia e "bite cells" no hemograma. A confirmação é feita pela dosagem da atividade da enzima G6PD, que deve ser realizada fora da crise hemolítica para evitar resultados falso-normais devido à presença de reticulócitos jovens com maior atividade enzimática. O tratamento é de suporte, com transfusões sanguíneas se necessário, e a principal medida é a prevenção, evitando os agentes desencadeantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que sugerem deficiência de G6PD em um quadro de anemia hemolítica?

Além da anemia (hemoglobina baixa), o hemograma pode mostrar policromatofilia (indicando reticulocitose compensatória) e a presença de "bite cells" (hemácias mordidas) no esfregaço sanguíneo. A pesquisa de Corpos de Heinz, que são precipitados de hemoglobina desnaturada, também é um achado característico.

Quais medicamentos devem ser evitados em pacientes com deficiência de G6PD?

Uma série de medicamentos pode desencadear crises hemolíticas em pacientes com deficiência de G6PD devido ao estresse oxidativo que causam. Exemplos incluem sulfametoxazol-trimetoprim, dapsona, cloroquina, primaquina, nitrofurantoína e alguns analgésicos como a aspirina em altas doses.

Como a deficiência de G6PD causa anemia hemolítica?

A G6PD é uma enzima crucial na via das pentoses fosfato, protegendo as hemácias do estresse oxidativo. Na sua deficiência, as hemácias são mais vulneráveis a agentes oxidantes (drogas, infecções), resultando em danos à hemoglobina e à membrana celular. Isso leva à formação de Corpos de Heinz e à remoção prematura das hemácias pelo baço, causando hemólise.

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