Icterícia Neonatal e Deficiência de G6PD: Fisiopatologia

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020

Enunciado

O mecanismo que agrava a icterícia neonatal na deficiência da enzima G6PD (glicose 6 fosfato desidrogenase):

Alternativas

  1. A) Redução da proteção das hemácias ao estresse oxidativo, intensificando o processo dehemólise.
  2. B) Redução da atividade da enzima UDP-glicuronil-transferase, prejudicando aconjugação de bilirrubinas.
  3. C) Aumento da disponibilidade da bilirrubina livre na luz intestinal, intensificando o cicloenterro-hepático de bilirrubinas.
  4. D) Aumento da atividade da enzima beta-glicuronidase no intestino, provocandosobrecarga de bilirrubinas ao hepatócito.
  5. E) Prejuízo no transporte de bilirrubinas dentro do hepatócito, limitando a captaçãohepática de bilirrubinas.

Pérola Clínica

Deficiência G6PD → ↓ NADPH → hemácias vulneráveis estresse oxidativo → hemólise ↑ → icterícia neonatal grave.

Resumo-Chave

A deficiência da enzima G6PD compromete a via das pentoses fosfato, essencial para a produção de NADPH. O NADPH é crucial para manter a glutationa em seu estado reduzido, protegendo as hemácias do estresse oxidativo. Sua deficiência leva à hemólise intravascular e extravascular, liberando bilirrubina e agravando a icterícia neonatal.

Contexto Educacional

A deficiência de G6PD (glicose-6-fosfato desidrogenase) é a enzimopatia mais comum do mundo, com alta prevalência em populações de origem africana, mediterrânea e asiática, devido à sua proteção contra a malária. É uma condição genética ligada ao cromossomo X, que afeta a capacidade das hemácias de se protegerem contra o estresse oxidativo, sendo uma causa importante de icterícia neonatal grave e anemia hemolítica. A enzima G6PD é crucial na via das pentoses fosfato, que gera NADPH. O NADPH é essencial para a manutenção da glutationa reduzida, um antioxidante que protege as hemácias de danos causados por radicais livres e substâncias oxidantes. Na deficiência de G6PD, a produção de NADPH é insuficiente, tornando as hemácias vulneráveis ao estresse oxidativo induzido por certos medicamentos, alimentos (fava) ou infecções. Quando as hemácias são expostas a agentes oxidantes, ocorre hemólise intravascular e extravascular. A destruição das hemácias libera grandes quantidades de bilirrubina indireta, que o fígado neonatal, ainda imaturo, não consegue conjugar e excretar eficientemente, resultando em hiperbilirrubinemia indireta e icterícia. A icterícia grave, se não tratada, pode levar ao kernicterus, uma condição neurológica devastadora. O rastreamento neonatal para G6PD é fundamental em áreas de alta prevalência.

Perguntas Frequentes

Qual a função da enzima G6PD nas hemácias?

A G6PD é a enzima chave na via das pentoses fosfato, responsável por produzir NADPH. O NADPH é vital para reduzir a glutationa, que por sua vez protege as hemácias contra danos oxidativos.

Como a deficiência de G6PD leva à hemólise?

Na ausência ou deficiência de G6PD, as hemácias não conseguem gerar NADPH suficiente para neutralizar o estresse oxidativo. Isso leva à oxidação da hemoglobina, formação de corpos de Heinz e dano à membrana celular, resultando em hemólise.

Quais são os riscos da icterícia grave na deficiência de G6PD?

A icterícia grave, especialmente a hiperbilirrubinemia indireta, pode levar ao kernicterus, uma encefalopatia bilirrubínica que causa danos neurológicos permanentes, como paralisia cerebral, perda auditiva e atraso no desenvolvimento.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo