Icterícia Neonatal Prolongada: Suspeita de Deficiência de G6PD

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Um recém-nascido (RN) a termo, afrodescendente, do sexo masculino, com 26 dias, apresenta quadro de icterícia neonatal zona III de Kramer desde o 3º dia de vida. Seus pais negam outras queixas e afirmam que ambos são consanguíneos (primos). Encontra-se em uso de fórmula láctea com ganho ponderal adequado. Não houve intercorrências na gestação e parto. Diante dessas informações, o médico solicita outros exames. A criança, então, retorna à consulta ambulatorial com propedêutica complementar solicitada há 7 dias. Os resultados dos exames realizados podem ser verificados a seguir.A tipagem sanguínea da mãe é O+ e do recém-nascido é A-. O Coombs direto (ou teste de antiglobulina direto) apresenta resultado negativo.Considerando-se o caso clínico e os exames complementares realizados, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Esferocitose hereditária.
  2. B) Deficiência de G6PD.
  3. C) Anemia falciforme.
  4. D) Galactosemia.

Pérola Clínica

RN afrodescendente, icterícia prolongada, consanguinidade, Coombs negativo, sem incompatibilidade ABO/Rh → Deficiência de G6PD.

Resumo-Chave

Um recém-nascido afrodescendente com icterícia neonatal prolongada (além do 3º dia de vida), histórico de consanguinidade parental, e exames que descartam incompatibilidade ABO/Rh (Coombs direto negativo) e outras causas comuns de hemólise, levanta forte suspeita de deficiência de G6PD, uma anemia hemolítica congênita.

Contexto Educacional

A icterícia neonatal é uma condição comum, mas a icterícia prolongada ou grave requer investigação cuidadosa para identificar causas patológicas. A deficiência de G6PD (glicose-6-fosfato desidrogenase) é uma das enzimopatias eritrocitárias mais comuns no mundo, com alta prevalência em populações afrodescendentes, mediterrâneas e asiáticas, e é uma causa importante de icterícia neonatal e anemia hemolítica. A deficiência de G6PD é uma doença genética ligada ao cromossomo X, o que significa que afeta predominantemente meninos, embora meninas portadoras possam ser sintomáticas. A enzima G6PD é crucial para a via das pentoses-fosfato, protegendo os eritrócitos do estresse oxidativo. Sua deficiência leva à hemólise quando o indivíduo é exposto a agentes oxidantes (certos medicamentos, infecções, naftalina) ou, no período neonatal, ao estresse oxidativo fisiológico. O diagnóstico é suspeitado clinicamente em RNs com icterícia prolongada, especialmente com histórico familiar ou consanguinidade, e é confirmado pela dosagem da atividade da G6PD. O manejo da icterícia por deficiência de G6PD inclui fototerapia intensiva e, em casos graves, exsanguineotransfusão. É fundamental evitar fatores desencadeantes de hemólise ao longo da vida do paciente. O rastreamento neonatal para deficiência de G6PD é recomendado em algumas regiões de alta prevalência, e a conscientização sobre a condição é vital para a prevenção de crises hemolíticas agudas e suas complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais que sugerem deficiência de G6PD em um recém-nascido?

A deficiência de G6PD deve ser suspeitada em RNs com icterícia neonatal prolongada ou de início precoce e grave, especialmente se houver histórico familiar de icterícia ou anemia, origem étnica de risco (afrodescendentes, mediterrâneos, asiáticos) e ausência de incompatibilidade sanguínea (Coombs negativo).

Por que a consanguinidade é um fator de risco para deficiência de G6PD?

A deficiência de G6PD é uma doença genética ligada ao cromossomo X. A consanguinidade aumenta a probabilidade de que ambos os pais compartilhem genes recessivos, elevando o risco de manifestação de doenças genéticas recessivas ou ligadas ao X, como a deficiência de G6PD, em seus descendentes.

Qual o papel do Coombs direto negativo no diagnóstico diferencial da icterícia neonatal?

Um Coombs direto negativo descarta a hemólise imunomediada, como a doença hemolítica do recém-nascido por incompatibilidade ABO ou Rh. Isso direciona a investigação para outras causas de hemólise não imune, como defeitos enzimáticos (ex: deficiência de G6PD) ou defeitos de membrana dos eritrócitos (ex: esferocitose hereditária).

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