Deficiência de G6PD: Conduta Pós-Triagem Neonatal Positiva

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Menino, 15 dias de vida, apresentou triagem neonatal positiva para deficiência de G6PD e foi convocado para repetição do exame. Na avaliação pediátrica, a mãe não tem queixas e o exame físico é normal. Qual é a conduta mais adequada neste momento?

Alternativas

  1. A) Realizar a nova coleta e orientar o afastamento de desencadeantes de hemólise.
  2. B) Solicitar análise molecular do gene G6PD e hemograma para fazer o aconselhamento genético.
  3. C) Considerar resultado da primeira coleta como diagnóstico definitivo e afastar desencadeantes de crise.
  4. D) Considerar resultado falso positivo e suspender a nova coleta.

Pérola Clínica

Triagem G6PD positiva em RN assintomático → repetir exame + afastar desencadeantes de hemólise.

Resumo-Chave

Um resultado positivo na triagem neonatal para deficiência de G6PD requer confirmação diagnóstica com nova coleta e dosagem enzimática. Enquanto se aguarda o resultado confirmatório, é essencial orientar os pais sobre o afastamento de substâncias e situações que podem desencadear crises hemolíticas.

Contexto Educacional

A deficiência de Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD) é a enzimopatia eritrocitária mais comum no mundo, com herança ligada ao cromossomo X. A triagem neonatal (teste do pezinho) é fundamental para sua detecção precoce, permitindo a prevenção de crises hemolíticas agudas, que podem levar a icterícia neonatal grave e kernicterus, ou anemia hemolítica em qualquer idade. A importância clínica reside na capacidade de prevenir complicações graves através da educação e manejo. Quando a triagem neonatal para G6PD é positiva, mesmo em um recém-nascido assintomático, a conduta inicial mais adequada é a repetição do exame para confirmação diagnóstica, geralmente com a dosagem enzimática da G6PD. Simultaneamente, é crucial orientar os pais sobre o afastamento de substâncias e situações conhecidas por desencadear hemólise, como certos medicamentos (sulfonamidas, antimaláricos), naftalina e favas. Essa abordagem visa proteger o bebê enquanto se aguarda o resultado confirmatório. O diagnóstico definitivo e o aconselhamento genético são importantes para o manejo a longo prazo e para a família. A análise molecular do gene G6PD pode ser útil em casos específicos, mas não é a conduta inicial para um resultado de triagem positivo. Considerar o resultado da primeira coleta como definitivo ou falso positivo sem confirmação é um erro que pode levar a condutas inadequadas, seja por excesso de restrições ou por negligência de um diagnóstico real.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais desencadeantes de hemólise na deficiência de G6PD?

Os principais desencadeantes incluem certos medicamentos (sulfonamidas, antimaláricos, aspirina em altas doses), infecções, febre, estresse oxidativo e alimentos como a fava (favismo).

Por que a deficiência de G6PD é mais comum em meninos?

A deficiência de G6PD é uma doença ligada ao cromossomo X. Meninos (XY) possuem apenas um cromossomo X, então uma única cópia do gene mutado é suficiente para manifestar a doença, enquanto meninas (XX) seriam portadoras ou teriam manifestação mais leve.

Qual a importância da dosagem enzimática para confirmar a deficiência de G6PD?

A dosagem enzimática da G6PD nos eritrócitos é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, quantificando a atividade da enzima e diferenciando portadores de afetados, além de guiar o aconselhamento genético.

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