INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Um adolescente do sexo masculino, de 13 anos de idade, em atendimento de rotina, relata desânimo e cansaço para ajudar nas atividades domésticas e inapetência. Recordatório alimentar: 3 sanduiches de pão de forma com manteiga e batata frita no almoço e no jantar, nos intervalos ingere balas e biscoitos, além de 1 000 mL de leite por dia. Exame físico sem alterações, peso, estatura e IMC no percentil 50 das curvas de referência e G3P3 de acordo com estadiamento de Tanner. Hemograma: hemoglobina = 12,1 g/dL; hematócrito = 35%; VCM ≤ 75fl; CHCM ≤ 26,5g/dl. Considerando que a Organização Mundial de Saúde refere, de maneira geral para adolescentes, valores normais de hemoglobina ≥ 12g%, é correto afirmar que
Adolescente com Hb normal, VCM/CHCM ↓ e dieta inadequada → Deficiência de ferro latente, necessita orientação dietética.
Embora a hemoglobina esteja dentro dos limites normais para adolescentes (>12 g/dL), o VCM e CHCM baixos indicam microcitose e hipocromia, sugerindo deficiência de ferro. Esta é uma fase pré-anêmica, onde os estoques de ferro já estão depletados, mas a produção de hemoglobina ainda não foi severamente comprometida.
A deficiência de ferro é um problema de saúde pública global, afetando especialmente adolescentes devido ao rápido crescimento, perdas menstruais em meninas e hábitos alimentares inadequados. A deficiência de ferro latente precede a anemia e já pode causar sintomas como fadiga e comprometimento cognitivo, impactando o desempenho escolar e a qualidade de vida. A fisiopatologia da deficiência de ferro latente envolve a depleção dos estoques de ferro (ferritina sérica baixa) antes que a produção de hemoglobina seja significativamente afetada. O diagnóstico é suspeitado por índices hematimétricos como VCM e CHCM baixos, mesmo com hemoglobina normal. A confirmação é feita pela dosagem de ferritina sérica. O manejo primário consiste na intervenção dietética, incentivando o consumo de alimentos ricos em ferro e vitamina C, e desestimulando o consumo de alimentos que inibem a absorção de ferro. Em alguns casos, pode ser considerada a suplementação profilática de ferro, especialmente em grupos de risco. A prevenção é fundamental para evitar a progressão para anemia ferropriva.
A anemia ferropriva é caracterizada por hemoglobina abaixo do limite inferior da normalidade, enquanto na deficiência de ferro latente, a hemoglobina pode estar normal, mas há depleção dos estoques de ferro, refletida por VCM e CHCM baixos e ferritina sérica reduzida.
Os sintomas podem ser inespecíficos, como fadiga, desânimo, inapetência, dificuldade de concentração e diminuição do desempenho escolar. Estes podem ser facilmente confundidos com outras condições ou aspectos da adolescência.
A orientação dietética é crucial para aumentar a ingestão de ferro heme (carnes) e não-heme (vegetais, leguminosas) e vitamina C (que melhora a absorção de ferro não-heme), além de reduzir o consumo de inibidores da absorção, como o excesso de leite e alimentos ultraprocessados.
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