Deficiência de Ferro e Síndrome das Pernas Inquietas

TECM Prática - Prova Prática de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 57 anos procura ambulatório de clínica médica para investigar um incomodo em membros inferiores de início há 10 semanas. Refere que, aproximadamente, há 10 semanas vem queixando-se de peso em membros inferiores que alivia com movimento das pernas ou durante caminhada. Inclusive, nos relata que é involuntário os movimentos das pernas quando está em repouso, mas que de fato há alívio na sensação de peso. Além disso, queixa-se de indisposição, queda frequente de cabelo e cansaço aos esforços. Nega patologias prévias, cirurgias prévias e uso contínuo de medicações. Menopausa ocorreu há quatro anos. Refere alimentação saudável e exercício físico três a quatro vezes por semana na academia, mas nas últimas seis semanas não tem ido por indisposição. Traz exames realizados por conta própria com seguintes resultados: Hemoglobina 9,5 mg/dL, Hematócrito 29%, Volume Corpuscular Médio 73 mm3 e Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média 30%. Com base no caso clínico acima, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Analisando o perfil laboratorial e apresentação neurológica de síndromes das pernas inquietas a suspeita de anemia por deficiência de Vitamina B12 é provável.
  2. B) Ferro sérico em níveis baixos é suficiente para confirmar anemia por deficiência de ferro.
  3. C) Devido à alta prevalência de deficiência de Ferro podemos iniciar reposição e reavaliar após seis semanas resposta.
  4. D) A dosagem de ferritina é o exame inicial na propedêutica laboratorial de deficiência de ferro. Caso 3

Pérola Clínica

Pernas inquietas + anemia microcítica → Dosar Ferritina (marcador mais sensível de estoque de ferro).

Resumo-Chave

A Síndrome das Pernas Inquietas é frequentemente a primeira manifestação neurológica da depleção de ferro, ocorrendo mesmo antes da queda da hemoglobina.

Contexto Educacional

A deficiência de ferro é a causa mais comum de anemia no mundo e apresenta manifestações sistêmicas que vão além da redução da capacidade de transporte de oxigênio. Sintomas como pica, queilite angular, unhas em colher (coiloníquia) e a síndrome das pernas inquietas são pistas clínicas valiosas. Em mulheres pós-menopausa, como no caso, a presença de anemia ferropriva é um sinal de alerta 'vermelho' que exige a exclusão de neoplasias gastrointestinais através de colonoscopia e endoscopia, uma vez que perdas menstruais não são mais uma explicação plausível. O tratamento envolve a reposição de ferro (oral ou parenteral) e, crucialmente, a identificação e tratamento da causa base da deficiência.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre ferro e Síndrome das Pernas Inquietas (SPI)?

O ferro é um cofator essencial para a enzima tirosina hidroxilase, que é a etapa limitante na síntese de dopamina no sistema nervoso central. A deficiência de ferro nos núcleos da base altera a sinalização dopaminérgica, o que desencadeia os sintomas sensoriais e motores da SPI. Clinicamente, pacientes com ferritina abaixo de 75 ng/mL podem apresentar sintomas de pernas inquietas, mesmo sem anemia franca, e a reposição de ferro costuma melhorar significativamente o quadro clínico.

Por que a ferritina é preferível ao ferro sérico no diagnóstico?

A ferritina reflete os estoques totais de ferro corporal, sendo o teste laboratorial mais sensível e específico para identificar a deficiência de ferro em estágios iniciais (fase de depleção de reserva). O ferro sérico, por outro lado, possui alta variabilidade diária, é influenciado pela dieta recente e não reflete fielmente o estoque tecidual. Em contextos de inflamação, a ferritina pode estar falsamente elevada (proteína de fase aguda), exigindo análise conjunta com a saturação de transferrina.

Quais os critérios laboratoriais para anemia ferropriva?

O diagnóstico laboratorial evolui em estágios: primeiro ocorre a queda da ferritina (estoque), seguida pelo aumento da Capacidade Total de Ligação do Ferro (TIBC) e queda da saturação de transferrina. Por fim, surge a anemia microcítica (VCM baixo) e hipocrômica (HCM baixo). No caso clínico apresentado, a paciente já apresenta anemia microcítica hipocrômica instalada, o que torna a investigação da causa da perda de ferro (como perdas gastrointestinais ou ginecológicas pós-menopausa) mandatória.

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