HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
M.N.B, sexo masculino, 74 anos, apresenta queixas de perda de memória, astenia e parestesias em membros inferiores. Portador de dislipidemia em uso de Atorvastatina 10 mg/dia. Passado de gastrectomia subtotal há 10 anos. Exames laboratoriais revelam Hemoglobina 7,4 g/dL, Volume corpuscular médio (VCM) de 119 fL e hipersegmentação de neutrófilos. Assinale a alternativa que presenta, respectivamente, a causa mais provável dos sintomas e o tratamento mais apropriado para o paciente:
Gastrectomia + Anemia Macrocítica + Sintomas Neurológicos = Deficiência de B12 → Reposição Parenteral.
A gastrectomia elimina as células parietais produtoras de fator intrínseco, impedindo a absorção de B12 no íleo distal, resultando em anemia megaloblástica e sintomas neuropsiquiátricos.
A deficiência de vitamina B12 (cobalamina) é uma complicação clássica a longo prazo de cirurgias gástricas. Além da anemia megaloblástica, a carência de B12 é notória por causar danos neurológicos, como a degeneração combinada subaguda da medula espinhal, manifestando-se como parestesias, perda de sensibilidade vibratória e alterações cognitivas. O tratamento deve ser vitalício em pacientes submetidos a gastrectomia total ou subtotal extensa para prevenir sequelas neurológicas irreversíveis.
A absorção da vitamina B12 depende do fator intrínseco, uma glicoproteína produzida pelas células parietais do estômago. Após uma gastrectomia, a produção de fator intrínseco é drasticamente reduzida ou eliminada, o que impede a formação do complexo B12-fator intrínseco necessário para a absorção no íleo terminal.
Os principais achados incluem anemia com VCM elevado (macrocitose), presença de neutrófilos hipersegmentados (pleocariócitos) no sangue periférico e, em casos graves, pancitopenia. A medula ósea apresenta-se hipercelular com dissincronia maturativa núcleo-citoplasmática.
A via parenteral (intramuscular) é a preferencial e clássica, pois contorna a barreira de absorção intestinal dependente de fator intrínseco. Embora doses orais muito altas possam ser absorvidas por difusão passiva, a via parenteral garante a correção rápida e segura dos estoques, especialmente se houver sintomas neurológicos.
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